DGS alerta população para aumento brusco do calor

Termómetros voltam a subir para valores próximos dos 40 graus em várias regiões do país. Mortalidade pode aumentar.

Também as temperaturas mínimas vão subir para valores próximos dos 20 graus
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Também as temperaturas mínimas vão subir para valores próximos dos 20 graus Daniel Rocha (arquivo)

A Direcção-Geral da Saúde (DGS) alertou esta sexta-feira a população para as elevadas temperaturas previstas para os próximos dias e não descarta mesmo a hipótese de se verificar uma onda de calor, se a situação se mantiver durante vários dias consecutivos. Para já, a principal preocupação prende-se com o “aumento brusco do calor” que está previsto de hoje para amanhã, sábado, e que “ronda os dez graus”, adianta Andreia Silva Costa, responsável pelo serviço de prevenção da doença e promoção da saúde da DGS.

Há vários critérios para definir uma onda de calor, explica Andreia Costa, que nota que, além dos dias consecutivos de temperaturas muito elevadas tanto de dia como de noite, são considerados nesta equação os aumentos súbitos de temperatura. Em Lisboa, por exemplo, prevê-se uma subida dos 26 graus C, ontem, para os 36 graus, hoje, e durante os próximos dias, pelo menos, o calor vai manter-se.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) avisa precisamente que vai ocorrer “uma subida rápida e muito significativa” da temperatura hoje. Nas regiões do litoral Oeste, incluindo Beira Litoral, Estremadura e Barlavento algarvio, as temperaturas máximas terão subidas da ordem de 7 a 10°C. Na parte restante do território, a subida da temperatura máxima será da ordem de 2 a 5°C. Registar-se-á também uma subida da temperatura mínima, mas menos expressiva, acrescenta.

No domingo, será ainda sentida uma subida da temperatura, prevendo-se que a máxima atinja valores entre os 30 e 40°C na maior parte do território, exceptuando alguns locais do litoral, onde se prevêem valores entre 25 e 30°C, e as regiões do Alentejo, vale do Tejo e vale do Douro, com valores que oscilam entre 40 e 42°C.

Já a temperatura mínima, a partir de domingo deverá registar valores entre 20 e 23°C na generalidade das regiões a Sul, e entre 15 e 20°C no restante território. Este “episódio de tempo quente” deverá prolongar-se até ao final da próxima semana nas regiões do interior, apesar de estar prevista uma descida da temperatura na segunda-feira, primeiro no litoral Centro, e, no dia seguinte, em todo o litoral.

Mas o país já foi assolado por ondas de calor localizadas este ano. Ainda há dias várias regiões enfrentaram ondas de calor, como Santarém e Évora, adiantou Madalena Rodrigues, do IPMA. A onda de calor depois “quebrou”, mas, se a partir de amanhã e durante a próxima semana as previsões se confirmarem, poderão ocorrer novos fenómenos deste tipo em vários pontos do país, diz a meteorologista. 

Na definição da meteorologia, para haver uma onda de calor são necessários seis dias consecutivos de temperaturas superiores à média para aquele período. Mas vai ser preciso esperar para ver, porque a partir do próximo dia 26 as previsões já são mais instáveis, explica.

Seja como for, a ocorrência de ondas de calor é um fenómeno a que os portugueses já se habituaram nestas alturas do ano. Só em 2015 há registo de sete ondas de calor em várias regiões do país que terão, todavia, passado despercebidas à maior parte da população. Para as autoridades de saúde, o preocupante é quando estes períodos de calor intenso se prolongam por muitos dias, acabando por ter reflexos na mortalidade.

Em Portugal, e apenas numa década, há registo de quatro anos com excessos de mortalidade significativos (2003, 2006, 2010 e 2013) devido a ondas de calor prolongadas, de acordo com dados da DGS.

“Noites tropicais”

Outro dos factores que provoca preocupação acrescida às autoridades de saúde é o facto de as temperaturas no período nocturno se manterem muito elevadas, proporcionando as chamadas “noites tropicais”, que não permitem o arrefecimento das casas e dos corpos, como vai acontecer nos próximos dias nalgumas regiões.

As elevadas temperaturas vão fazer-se sentir sobretudo no Centro e Sul interior, adianta Andreia Costa, que sublinha que o plano de contingência para temperaturas extremas já foi accionado tanto a nível nacional como a nível regional e em cada unidade de saúde, face à possibilidade de uma procura acrescida.

Há 11 distritos com alerta amarelo, o menos grave numa escala de três, precisa, pedindo às pessoas para ligarem, primeiro, para a Linha Saúde 24 (808 24 24 24), que as remeterá para uma urgência em caso de necessidade.

De resto, este aumento brusco das temperaturas justifica uma série de alertas e recomendações para a população em geral. Está provado que as ondas de calor provocam um aumento na mortalidade, mas esse tipo de efeitos apenas se verificam ao fim de dias consecutivos de temperaturas muito elevadas.

Por enquanto, a mortalidade mantem-se de acordo com o esperado para esta altura do ano, afirma a responsável da DGS, que admite que a situação se possa alterar em caso de onda de calor. Este ano, e uma vez que o Inverno passado foi ameno e não houve acréscimo de mortalidade, tal efeito poderá ser maior, porque pessoas em situação de grande fragilidade podem não resistir ao impacto de uma onda de calor, apesar de este ser só mais um factor que pode contribuir para tal desfecho, explica.

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