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Escolha de Ernesto Páscoa para candidato a Matosinhos abre guerra no PS

Distrital já se apressou a dizer que não vai ratificar o nome líder concelhio porque essa escolha representaria uma derrota para o partido, como aconteceu em 2013.

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António Parada, Ernesto Páscoa, António Costa e Guilherme Pinto em Julho de 2015, quando o PS parecia reconciliar-se em Matosinhos Paulo Pimenta

Os socialistas de Matosinhos, decididamente, não se entendem quanto ao candidato do partido à câmara, foi assim em 2013 e está a ser assim em relação a 2017. A comissão política concelhia aprovou, na quinta-feira à noite, o nome do líder, Ernesto Páscoa, como o protagonista da candidatura do partido à câmara no próximo ano, mas a distrital já fez saber que não vai ratificar a estratégia saída desta votação, porque entende que a decisão “foi tomada num ambiente de grande divisão”. “Significa que há quem ainda não tenha compreendido que uma postura sectária por parte do PS nos conduz à derrota, como aconteceu em 2013”, declarou ao PÚBLICO Manuel Pizarro, o líder da Federação do Porto.

“A distrital, perante uma decisão tomada em clima de desunião, sem diálogo com o grupo independente de Guilherme Pinto [que se fez reeleger como independente em 2013, por ter deixado de ter o apoio da concelhia do PS], não pode deixar de não ratificar o processo. Se esta decisão fosse por diante, estaríamos a condenar o PS a uma derrota em Matosinhos”, acrescenta o líder federativo.

Manuel Pizarro tentou, por mais de uma vez, demover Ernesto Páscoa de discutir já o nome do candidato à câmara, sem que o assunto fosse previamente debatido a nível da distrital, mas o líder concelhio manteve a sua posição e, anteontem à noite, apresentou a sua candidatura, tendo sido indigitado com 36 votos a favor (58%). Votaram contra 24 militantes.

Ernesto Páscoa reafirma que é o candidato “mais bem posicionado” para ganhar a câmara para o PS e diz contar com o apoio da equipa independente que lidera a autarquia presidida por Guilherme Pinto. “A última vez que falei com ele [Guilherme Pinto] não se opôs [ao avanço] da minha candidatura. Conheço-o há muitos anos e ele é socialista e não acredito que queira fazer mal ao PS”, afirma o agora indigitado candidato ao PÚBLICO.

A decisão da concelhia acontece na mesma semana em que a comissão política distrital do PS-Porto aprovou um documento de orientação para a articulação entre as comissões políticas concelhias e a federação distrital e no qual especifica como deve ser conduzido o processo em Matosinhos. “A escolha do candidato à presidência da câmara deve ser precedida de entendimento com o movimento independente Guilherme Pinto. Esta é a única orientação que honra a tradição socialista matosinhense, valoriza o envolvimento de todos, sem quaisquer exclusões, e cria oportunidade de vitória eleitoral e de concretização do objectivo de recuperar para o PS a Câmara Municipal de Matosinhos”, lê-se no texto.

Alheio à indicação da federação, Ernesto Páscoa mostra-se determinado em levar a sua candidatura para a frente e, quando questionado sobre a possibilidade de a distrital avocar o processo, responde: “Não vejo razões para o fazer e, se o fizer, vai ter de argumentar e a concelhia saberá responder”. E acrescenta: “Eu não quero criar clivagens internas, quero unir o partido e acho que os interesses colectivos e os do PS devem estar acima dos interesses pessoais”.

António Parada, ex-líder concelhio que foi candidato em 2013 a Matosinhos e perdeu para Guilherme Pinto, parece estar fora da corrida, até porque, segundo Páscoa, o agora assessor do secretário de Estado das Pescas “deu o apoio" à sua candidatura.

A deputada socialista Luísa Salgueiro, que integra desde o último congresso a Comissão Permanente do partido, núcleo duro do PS, é o nome que as direcções distrital e nacional do PS gostariam de ver a disputar as eleições autárquicas.

Ao que o PÚBLICO apurou, o secretário-geral do PS, António Costa, almoçou esta sexta-feira em Matosinhos com Luísa Salgueiro e Manuel Pizarro e, à mesa, falaram das eleições autárquicas.