Erdogan despede 9000 funcionários do Interior, a maior parte polícias

Sucedem-se as prisões de pessoas acusadas de estarem relacionadas com o golpe.

Prisão de mais um suspeito em Ancara, a capital turca
Foto
Prisão de mais um suspeito em Ancara, a capital turca AFP

Depois dos militares e dos juízes, os polícias. O Governo turco anunciou que quase nove mil funcionários do ministério do Interior, a maior parte deles polícias, foram despedidos por suspeita de envolvimento no golpe de Estado falhado de sexta-feira. Perto de seis mil militares e juízes já tinham sido detidos.

Segundo a agência turca governamental Anadolu, 4500 desses funcionários são polícias, 614 são gendarnes (ramo militar da polícia) e 29 são governadores de municípios.

Mais 103 generais e almirantes foram colocados em prisão domiciliária, aguardando o desenrolar do inquérito ao golpe.

O Presidente do país, Recep Erdogan, avisara que todos os órgãos do Estado seriam limpos do "vírus" que causou a revolta.

Falando em Bruxelas, à entrada da cimeira da União Europeia na qual participa como observador, o secretário de Estado americano, John Kerry, voltou a frisar a importância de a Turquia gerir de forma democrática esta crise. "Vamos certamente apoiar que os organizadores do golpe sejam levados à justiça, mas também advertimos para a necessidade de haver cautela de não se ultrapassar esse limite", disse Kerry esta segunda-feira.

Kerry disse também que o Governo turco deve apresentar provas sobre o envolvimento de Fethullah Gülen, o opositor de Erdogan que vive nos Estados Unidos e que o Presidente turco culpou pela revolta, exigindo que seja extraditado.

Já esta segunda-feira, o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, chamou "mártires" aos 208 mortos  60 polícias, três soldados e 145 civis. Outras 1491 pessoas ficaram feridas. Morreram 24 envolvidos no golpe, disse Yildirim, um número inferior ao que tinha sido divulgado anteriormente.

O grupo de militares suspeito de envolvimento no golpe que fugiu para a Grécia, de helicóptero, vai ser levado a julgamento já esta semana. Segundo o advogado que os representa, irão pedir asilo político Ancara exigira a sua extradição.

O adido militar turco no Kuwait foi, entretanto, detido na Arábia Saudita, onde se preparava para apanhar um avião com destino à Europa.

Em Istambul, o vice-presidente da junta de Sisli, foi alvejado na cabeça e encontra-se em estado crítico, noticiou a NTV. Segundo o canal turco, o atacante entrou no escritório de Cemil Candas e baleou-o. Não se sabe ainda se o incidente tem alguma relação com a tentativa de golpe militar. A junta de Sisli é dirigida pelo Partido Popular Republicano, o principal partido da oposição na Turquia, que condenou o golpe.

Sugerir correcção