São Tomé vota para escolher um Presidente

Principais candidatos repetem eleições de 2011.

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Manuel Pinto da Costa é candidato à reeleição Afolabi Sotunde/REUTERS

São Tomé e Príncipe está a votar neste domingo para eleger um Presidente. Manuel Pinto de Costa, que em breve fará 79 anos, luta por um novo mandato de cinco anos, tendo como principais concorrentes Evaristo Carvalho, apoiado pelo partido do primeiro-ministro Patrice Trovoada, que ganhou as legislativas em 2014, e a ex-primeira-ministra Maria das Neves, hoje na oposição.

Evaristo Carvalho já se tinha candidatado contra Pinto da Costa nas eleições de 2011 e disputou com ele a segunda volta. O economista Pinto da Costa foi o primeiro Presidente de São Tomé e Príncipe após a independência, a 12 de Julho de 1975.  Foi um dos fundadores do MLSTP-PSD (Movimento para a Libertação de São Tomé e Príncipe-Partido Social Democrata). Conduziu o país para um modelo marxista-leninista, de economia planeada, que levou o país à ruína. Em 1996 pediu perdão pelos erros do regime de partido único, instaurado após a independência.

Patrice Trovoada, líder da Acção Democrática Independente e primeiro-ministro, perpetua a herança política do seu pai, Manuel Trovoada, que foi também Presidente, eleito em 1991, após anos de exílio, quando se realizaram as primeiras eleições multipartidárias e a economia se abriu. O candidato que apoia, Evaristo Carvalho, foi duas vezes primeiro-ministro, sempre no campo oposto ao do seu rival: a primeira vez foi nos anos 1990, sob a presidência de Miguel Trovoada, rival histórico de Pinto da Costa; a segunda com Fradique de Menezes, que em 2001 derrotou Pinto da Costa.

Maria das Neves, antiga primeira-ministra pelo MLSTP-PSD, ficou em terceiro lugar em 2011.

Estas eleições, às quais são chamadas a votar mais de 111 mil eleitores (39 mil na capital e dez mil na diáspora, dos quais mais de 4000 em Portugal, diz a Lusa), são monitorizadas por uma missão de observadores da União Africana, liderada pelo ex-Presidente moçambicano Armando Guebuza. A imigração é o destino de muitos são-tomenses, por causa da pobreza, que atinge 66% da população.

Apesar de a economia estar a crescer ao ritmo de 4% ao ano, em média, desde 2012, este país sobre-endividado depende em 80% da ajuda exterior, diz a AFP. “A inflação desceu de 28% para 4%, a mais baixa das duas últimas décadas”, diz um relatório do Fundo Monetário internacional de Junho.

Durante décadas, o cacau foi a maior riqueza de São Tomé. Mas a produção foi decaindo para valores que nos últimos anos ficaram abaixo das três mil toneladas anuais, sensivelmente um quarto dos valores anteriores à independência, quando já eram uma sombra dos valores do início do século XX. Cacau e café representam, ainda assim, mais de 80% do total das exportações, embora nos últimos anos o país tenha captado o interesse de projectos de comércio justo europeus

São Tomé tem também para oferecer praias de sonho com potencial para projectos turísticos, que têm sido aproveitadas por investidores sul-africanos, espanhóis e portugueses, que apostam num turismo de qualidade. Empresas chinesas, angolanas e nigerianas começaram também a fazer prospecções petrolíferas offshore - o petróleo foi descoberto em 2000 - e os primeiros resultados devem estar disponíveis entre 2018 e 2020.