Sociedades do grupo PT, Zeinal Bava e Granadeiro alvo de buscas

Buscas decorreram no âmbito da Operação Marquês. Em causa estão ligações a circuitos financeiros e os grupos PT e Espírito Santo. Também visado advogado ligado ao caso Mensalão.

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PT investiu em instrumentos de dívida de empresas do universo GES PÚBLICO/Arquivo

A Procuradoria Geral da República (PGR) emitiu nesta quinta-feira um comunicado onde diz que no âmbito da designada Operação Marquês foram feitas buscas domiciliárias e não domiciliárias em vários pontos do país. Instalações de diversas sociedades do grupo PT, residências de antigos gestores da empresa e um escritório de advogados foram alguns dos alvos das buscas feitas na quarta-feira.

Neste processo, que corre termos no DCIAP, investigam-se factos susceptíveis de integrarem os crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais. A Operação Marquês conta com mais de uma dezena de arguidos, entre os quais o ex-primeiro-ministro José Sócrates.

O PÚBLICO apurou que as autoridades estão a investigar actos realizados pela administração da PT quando esta era encabeçada por Henrique Granadeiro e Zeinal Bava. “No decurso destas diligências procedeu-se à recolha de prova complementar àquela que já se encontrava reunida nos autos. Em causa estão eventuais ligações entre circuitos financeiros investigados neste inquérito e os grupos PT e Espírito Santo”, adiantou a PGR.

Fonte oficial da PT, que desde o ano passado pertence à francesa Altice, confirmou que os inspectores estiveram no edifício sede da empresa em Picoas, em Lisboa. “No seguimento de informações que têm sido veiculadas, a PT Portugal confirma que decorreram diligências por parte das autoridades judiciais nas suas instalações em Lisboa, relativamente a processos inteiramente ligados à gestão anterior e que em nada afetam a gestão corrente da PT Portugal", lê-se numa declaração enviada ao PÚBLICO.

"A PT Portugal informa que prestará toda a colaboração necessária às autoridades judiciais em tudo o que estiver ao seu alcance", acrescentou. Fonte oficial da Pharol, a holding - que é accionista da Oi - liderada por Palha da Silva e que reúne alguns antigos acionistas da PT, como a Visabeira, confirmou ao PÚBLICO que os inspectores também estiveram ontem nas instalações da sociedade, nas Amoreiras, em Lisboa. "Foi-nos pedida documentação relativa ao período entre 2007 e 2010 e nós colaborámos, como seria de esperar", disse fonte da Pharol. 

Buscas a advogado ligado ao Mensalão

Outro dos locais alvo de buscas foi a sede da sociedade de advogados Lima Serra Fernandes & Associados. Situado defronte do antigo apartamento de luxo de José Sócrates da Rua Castilho, em Lisboa, este escritório tem ligações ao principal condenado do caso Mensalão, José Dirceu – que esteve no epicentro das negociações que deram à Telefónica o controlo da operadora brasileira Vivo, entre 2009 e 2010, e que teve como contrapartida a entrada da Oi na Portugal Telecom. Um dos sócios do escritório, João Abrantes Serra, confirmou ao PÚBLICO as buscas. “Estiveram cá”, disse, escusando-se a adiantar quaisquer outros detalhes.

João Abrantes Serra foi adminstrador da construtora Abrantina, comprada em 2007 pelo Grupo Lena, também visado na Operação Marquês. Também os antigos dirigentes da PT Henrique Granadeiro e Zeinal Bava terão ter sido alvo de buscas. Bava confirmou em Maio passado ao Expresso a existência do chamado saco azul do grupo Espírito Santo, explicando que a offshore Espírito Santo Enterprises lhe transferiu 18,5 milhões de euros entre 2010 e 2011 para "financiar a aquisição de acções da PT por um grupo de altos quadros da empresa".

"Tratou-se de um valor que me foi confiado a título fiduciário, consignado a uma finalidade legítima a concretizar em momento futuro", disse o antigo responsável da Portugal Telecom, numa altura em que já estava a ser investigado pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), acrescentando que acabou por devolver o dinheiro.

Ministério Público investiga desde o ano passado o envolvimento político no negócio de venda à Telefónica das acções que a PT tinha na brasileira Vivo e o cruzamento de posições accionistas com a operadora brasileira Oi, no qual interveio José Dirceu. Depois de ter sido o principal rosto do caso Mensalão, Dirceu foi condenado também na Operação Lava Jato. Há suspeitas de benefícios financeiros, no valor de várias dezenas de milhões de euros, concedidos a governantes, accionistas e quadros de topo das operadoras.