Rui Costa só ficou atrás de Tom Dumoulin na etapa do Tour

Ciclista holandês integrou a fuga do dia e venceu a nona tirada da Volta a França.

Dumoulin, durante o contra-relógio desta sexta-feira
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Dumoulin, durante o contra-relógio desta sexta-feira Bas Czerwinski/AFP

Tom Dumoulin venceu a nona etapa da Volta a França, uma tirada com uma chegada em alto, em Andorra. O ciclista holandês (Giant) esteve na fuga do dia e foi mais forte do que Rui Costa (Lampre), que fez segundo, e Rafal Majka (Tinkoff), que chegou em terceiro. Foi a primeira vitória do holandês no Tour que já referiu que o seu objectivo é preparar-se para os Jogos OIímpicos, pelo que não está na luta por um bom lugar na classificação geral.

Após a etapa, Tom Dumoulin, especialista em contra-relógio, falou da sua versatilidade. "Ganhei a etapa-rainha. Mostrei que não sou apenas um especialista em contra-relógio. Consigo fazer mais", adiantou o holandês.

A nona etapa da Volta a França foi a primeira com chegada em alto. Numa subida longa, até Andorra Arcalis, esta tirada era indicada para grandes trepadores. Antes desta contagem de categoria especial, coincidente com a meta, os ciclistas tiveram de ultrapassar mais quatro montanhas (uma de segunda categoria e três de primeira categoria). Com quatro subidas difíceis antes de um final a 2240 metros de altitude, a etapa prometia dar mais uma indicação acerca da hierarquia na luta pela vitória final.

Antes da tirada, Chris Froome, um dos favoritos para a chegada a Andorra, previa um duelo entre os favoritos. “As montanhas em Andorra são muito difíceis. Hoje vamos correr pela classificação geral. Todos vão correr no limite”, prometia o camisola amarela.

Às 12h04, 197 ciclistas saíram de Vielha Val d’Aran, com destino a Andorra Arcalis. Os 184,5 quilómetros desta etapa começaram bastante animados, com muitas tentativas de sair do pelotão. Com os sucessivos ataques, formou-se um grupo grande na frente da corrida. Rui Costa fez parte do grupo, bem como Peter Sagan, Rafal Majka, Tom Dumoulin ou Thibaut Pinot.

Na primeira subida do dia - de primeira categoria -, em Port de la Bonaigua, passaram na frente Thibaut Pinot, Thomas De Gendt e Rafal Majka, os três a lutar pela camisola do "rei da montanha". Ao quilómetro 57, o grupo da frente tinha 20 elementos e o pelotão vinha a cerca de dois minutos. Esta fase da etapa trazia boas novidades para os sprinters. Poderiam aproveitar cerca de 30 quilómetros de percurso plano para se juntarem ao pelotão.

A 100 quilómetros do final da etapa, chegou um dos momentos marcantes deste Tour. Alberto Contador, duas vezes vencedor da Volta a França, desceu da sua bicicleta e entrou no carro da Tinkoff. Foi a desistência de um dos favoritos à vitória final. "Esta manhã, sentia-me febril, não me sentia mesmo nada bem e isso levou-me a tomar a decisão de abandonar", explicou o ciclista da Tinkoff. Enquanto no pelotão Contador desistia, o grupo da frente chegou à segunda montanha do dia. Na frente, passaram os “suspeitos do costume”, numa luta acesa pela camisola das "bolinhas": Thomas De Gendt somou dez pontos, Pinot somou oito e Majka somou seis. A 50 quilómetros do final da etapa, o grupo da frente já seguia com dez minutos de vantagem sobre o pelotão.

No grupo da frente, Pinot, Majka, Rosa, Frank, Dumoulin, Navarro, Bennett e Anacona pareciam estar mais confortáveis nas subidas. Rui Costa era um dos que ficava para trás, mas depois recuperava novamente o contacto com o grupo. O ciclista português fez uma boa gestão de esforço e não respondeu aos ataques dos seus companheiros de fuga, preferindo adoptar um ritmo constante e mais confortável para si.

Na parte final da etapa, confirmava-se a ameaça de chuva e um verdadeiro dilúvio recebeu os ciclistas, em Andorra. Foi uma etapa muito dura e com muitas variações meteorológicas. Os corredores ultrapassaram sol, chuva, vento e até granizo. 

Na antepenúltima subida do dia, de segunda categoria, De Gendt voltou a ser o primeiro, enquanto, na penúltima, o mais forte foi Pinot. A partir daqui, começou Rui Costa ao ataque. Na subida final a Arcalis (10,1 quilómetros, com 7,1 % de inclinação média), o grupo da frente, com dez elementos, iniciava a subida com oito minutos de vantagem sobre o pelotão. Rui Costa tentou isolar-se várias vezes, mas acabou por ser o Tom Dumoulin, especialista em contra-relógio, a conseguir atacar numa zona mais plana. O ciclista holandês ganhou alguma vantagem e apenas Rui Costa e Majka responderam. A vantagem de Dumoulin acabou por ser decisiva e o ciclista holandês chegou isolado à meta. Rui Costa superou Majka no sprint final e assegurou o segundo lugar do pódio, a 35 segundos de Dumoulin.

Enquanto os ciclistas incluídos na fuga inicial chegavam a “conta gotas”, no pelotão começava o duelo entre os favoritos. Henao (já é habitual um Sky a atacar antes de Froome) e Richie Porte atacaram, mas foi a investida de Froome que fez mais estragos. O britânico foi acompanhado por Quintana, Daniel Martin, Jesús Herrada, Richie Porte (muito ofensivo hoje) e Adam Yates. Os restantes favoritos não conseguiram acompanhar o ritmo deste sexteto, que chegou à meta 6m35s depois de Dumoulin. O esperado duelo entre Froome e Quintana acabou por não resultar em diferenças entre os ciclistas da Sky e da Movistar, deixando tudo em aberto para a próxima semana de Volta a França.

Na classificação geral, Froome mantém a camisola amarela, com 16 segundos de vantagem sobre Adam Yates. Joaquin Rodriguez, terceiro à partida para a nona etapa, foi ultrapassado por Daniel Martin e Quintana. Destaque ainda para a descida de Kreuziger, que caiu de quinto para 12.º, na etapa em que o seu líder, Alberto Contador, desistiu do Tour. Quanto aos portugueses, Rui Costa ocupa a 48.ª posição, a 42m27s de Froome, enquanto Nélson Oliveira está no 113.º lugar, a 1h35m54s do camisola amarela.

Nota para Thibaut Pinot, que "roubou" a camisola das "bolinhas" a Rafal Majka. E bem pode agradecer a Rui Costa. Com o segundo lugar na etapa, o português impediu Majka de somar 40 pontos (em vez de apenas 32) e ajudou Pinot a ir para o dia de descanso como "rei da montanha". Texto editado por Jorge Miguel Matias