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Câmara do Porto distingue Paulo Cunha e Silva e recorda o amor que tinha pela cidade

Na cerimónia, Rui Moreira destaca a resiliência do ex-vereador da Cultura em considerar que o Porto “merecia, pelo menos na Cultura, ser capital”. No total foram agraciados 23 pessoas e instituições.

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Elisa Cunha e Silva, mãe do ex-vereador Paulo Cunha e Silva Fernando Veludo/NFactos
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João Semedo, ex-dirigente do Bloco de Esquerda Fernando Veludo/NFactos
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Manuela de Melo, ex-vereadora da Cultura da Câmara do Porto Fernando Veludo/NFactos
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Gastão Celestino, nadador salvador Fernando Veludo/NFactos
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Américo Aguiar, padre dos Clérigos Fernando Veludo/NFactos
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Rui Sá, ex-vereador da CDU na Câmara do Porto Fernando Veludo/NFactos
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Rui Sá e João Semedo, duas das personalidades distinguidas pela Câmara do Porto Fernando Veludo/NFactos

A Câmara do Porto homenageou, este sábado, o ex-vereador da Cultura, Paulo Cunha e Silva, que recebeu, a título póstumo, a Medalha de Honra do Porto, numa cerimónia onde foram agraciados mais 22 personalidades que se distinguiram pelos serviços que prestaram ao país ou ao município.

“Queria sublinhar a presença de vários cidadãos que hoje homenageamos e, entregando a sua vida à função política ou, simplesmente, tendo decidido pontualmente servir como políticos a causa pública honram a cidade a quem o Porto deve, por isso, reconhecimento”, declarou o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira referindo-se a Carlos Lage, João Semedo, José Pedro Aguiar Branco, Manuela de Melo e Rui Sá.

“Aplaudir e honrar os que honram a cidade, independentemente de convicções e de ideologias, é, afinal, o melhor exemplo que podemos dar pela dignificação da vida politica”, sublinhou Rui Moreira, vincando que o “país não pode continuar divorciado daqueles que se expõem ao escrutínio supremo que é o do eleitorado e são, por isso, o garante da democracia e da liberdade de um país”.

Orgulhoso da sua cidade, o autarca independente considera importante “dignificar essas pessoas”, caso contrário, observou, “não poderemos clamar por direitos nem queixar-nos de ataques extremistas e ditatoriais ao poder”.

As palavras seguintes foram para Paulo Cunha e Silva, a quem a câmara entregou, “dolorosamente” a única Medalha de Honra da cidade. Rui Moreira regressou à Porto 2001- Capital Europeia da Cultura para dizer que o ex-vereador, de quem era particular amigo, foi programador “desse momento controverso da história da cidade, mas que, apesar de tudo, foi invulgarmente iniciador”.

“Tal como muitos outros aqui presentes, que então insistiram que o Porto merecia, pelo menos na cultura, ser capital, foi resiliente. Como foi sempre teimosamente obstinado no amor que nutria pela sua cidade, que desejava Nação. Paulo Cunha e Silva era ele próprio a democratização da cultura. Era, como criador, a verdadeira cultura. Era a mistura. Era o espelho e as pontes”, declarou.

Referindo-se ao ex-autarca que desapereceu há oito meses como “o nosso querido amigo e vereador”, o presidente sublinhou que a câmara o quer homenagear com a criação de um prémio internacional de artes visuais com o seu nome, dirigido a artistas (nacionais e internacionais) que trabalham em artes visuais – um domínio que, frisou, lhe era particularmente próximo, no qual cresceu e permitiu que muitos crescessem, dentro e fora do país”.

“Na verdade, o Prémio Paulo Cunha e Silva constitui uma peça num plano maior para a Cultura: uma estratégia que estamos desde já a desenvolver e que pretendemos que potencie o Porto, ao longo dos próximos anos, como território ímpar para a criação contemporânea”, disse.

O “legado” da Porto 2001

Perante uma plateia distinta, explicou que “depois de três anos a trabalhar na reinvenção dos diferentes espaços de culturas municipais, na reactivação do património da cidade através da arte contemporânea, na concepção de programas e festivais que recuperaram e criaram públicos para a cultura, na diluição de fronteiras e barreiras culturais no território da cidade, e na ligação da cidade aos discursos contemporâneos nacionais e internacionais”, a câmara irá “sedimentar a qualidade de todos estes projectos e iniciativas”.

No seu discurso, Rui Moreira aludiu ao “legado de alguns ícones, onde a Casa da Música é o templo”, que a Porto 2001 deixou à cidade, mas também “uma singular democratização dos conteúdos”. “Encontramos, na Porto 2001, a democratização transversal em que os públicos se entrecruzam”, destacou para enaltecer que “foi aí que nasceu uma ideia de que a cultura, no Porto, não tinha que ser uma coisa de elites ou de pseudo-elites” e de que “não havia públicos cativos”.

A referência serviu também para destacar Manuela de Melo, a ex-vereadora da Cultura do Porto, agraciada com a medalha de Mérito Grau Ouro. “Sei bem quanto custa ter arrojo, Manuela de Melo. Sei bem ao que nos sujeitamos quando preferimos fazer, em lugar de não fazer. Arriscar, em detrimento de descansar. Porque quem não faz, não erra nunca”, enfatizou.

Entre ex-ministros, antigos deputados e vereadores, a autarquia distinguiu figuras conhecidas como o padre Américo Aguiar, “cujo zelo devemos o restauro de um dos ícones desta cidade” – a Igreja e Torre dos Clérigos; Angelo Arena, ex-cônsul de Itália que se apaixonou pelo Porto; Ricardo Fonseca, “grande gestor” da Administração dos Portos do Douro e Leixões; a poetisa Ana Luísa Amaral e a pianista Manuela Gouveia. Mas não esqueceu gente anónima como "Gastão Celestino e Belmiro Rubim, dois salvadores de muitas almas que o Rio Douro queria para si”.

As medalhas de “Bons serviço – grau prata” foram atribuídas a quatro funcionários pelo município, que agraciou a Agência Abreu – a mais antiga agência de viagens do mundo, o Coral de Letras da Universidade do Porto e o Sporting Clube da Cruz.