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Um japonês em África: o complexo de culpa "oriental"

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"Não saber é mau. Não querer saber é pior." É com esta frase que o fotógrafo japonês Hiroshi Aoki abre a descrição do projecto fotográfico "Heal Africa", que desenvolve há precisamente dez anos, ininterruptamente. Somália, Congo, Chade, Níger, Mali, Sudão, etc. são alguns dos países por onde passou, locais onde abundam as situações de conflito armado, fome, enfermidade e escravatura. No fundo, observa Aoki, "todas as pessoas que conheci são vítimas da guerra". No mundo ocidental e ocidentalizado, onde existe prevalência da classe média, raramente um cidadão se confronta com situações de pobreza extrema, como as que se observam em África. "O continente africano fica muito longe do Japão. Para um japonês é muito difícil imaginar-se a viver nas mesmas condições. Eu continuo a ter dificuldade em entender. No final, percebo que sou apenas um japonês, o que me causa vergonha e tormento todos os dias." Pode tratar-se de "complexo de culpa do ocidental", neste caso, do oriental, mas na realidade, aponta o fotógrafo, "250 mil mulheres morrem de complicações na gravidez e no trabalho de parto", em África, e "40 milhões de crianças não vão à escola"; isto ao mesmo tempo que tantos de nós passam o dia na internet. "O fosso entre as vidas confortáveis dos países desenvolvidos e as privações por que passam tantos africanos é tão grande e chocante que é impossível não nos questionarmos porquê." É para que mais e mais pessoas se questionem sobre o assunto que Aoki acredita ser importante continuar a fotografar e a divulgar as imagens tanto quanto possível. É deste modo que pretende "sarar África".