ICNF quer limite de 600 turistas por dia na ilha da Berlenga

O limite proposto não pode ser excedido entre 1 de Junho e 15 de Setembro.

Berlenga abriga seis espécies de aves
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No âmbito do controlo anual de gaivotas são destruídos 60 mil ovos por ano Nelson Garrido

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) quer fixar em 600 o número máximo diário de visitantes na ilha das Berlengas, em Peniche, já a partir do dia 15, segundo uma proposta de portaria.

De acordo com o documento, a que a Lusa teve acesso e que será ainda submetido ao Governo, o ICNF pretende que esse limite não seja excedido no período entre 1 de Junho e 15 de Setembro e que haja registo 'online' das visitas efectuadas.

Até agora, o limite fixado era de 300 visitantes por dia, mas o número era ultrapassado por não haver controlo de visitantes.

Aos visitantes, vão ser cobradas taxas, cuja receita reverte para o ICNF. Contudo, o instituto não adianta valores, remetendo para uma portaria a ser aprovada pelo Governo.

O documento fixa em três os desembarques diários na ilha por parte das embarcações marítimo-turísticas que asseguram a viagem entre Peniche e as Berlengas.

O ICNF justifica a decisão com a "fragilidade dos ecossistemas insulares" da Reserva Natural das Berlengas.

Questionada pela Lusa, Maria de Jesus Fernandes, directora do departamento de conservação da natureza e florestas de Lisboa e Vale do Tejo do ICNF, responsável pela gestão da Reserva Natural das Berlengas, optou por não prestar esclarecimentos.

Contudo, em Dezembro, durante as I Jornadas do Conhecimento da Reserva Natural da biosfera das Berlengas, a responsável afirmou que a intenção era "chegar a uma solução que não prejudique os interesses económicos, mas antes concilie todos os interesses".

A proposta de portaria foi enviada à Câmara de Peniche, mas o presidente não deu a conhecer a posição da autarquia, ao ser questionado pela Lusa.

Um estudo elaborado pelo Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, concluiu que visitam anualmente a ilha da Berlenga mais de 65.650 pessoas, das quais 43.250 na época alta (meses de verão) e 22.400 na baixa.

Por dia, os visitantes chegam aos 687 na época alta e 400 na época baixa.

A sua localização contribui para a produtividade e diversidade de espécies e de habitats marinhos, bem como para uma paisagem única na região.

No arquipélago de que faz parte -- o das Berlengas, que inclui ainda as ilhas de Estelas e Farilhões - nidificam seis espécies de aves marinhas: duas espécies de gaivotas, a cagarra (ou pardela), o corvo-marinho, o airo e o roque-de-castro.

O arquipélago, no distrito de Leiria, foi classificado em 2011 como Reserva Mundial da Biosfera pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) e tem estatuto de reserva natural desde 1981.