PJ deteve director do Museu da Presidência

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O Museu da Presidência foi criado em 2001 Rui Gaudêncio

A Polícia Judiciária (PJ) deteve, esta quinta-feira de manhã, o director do Museu da Presidência da República, Diogo Gaspar, na sua casa por alegadamente ter cometido vários crimes económicos. É suspeito dos crimes de tráfico de influência, falsificação de documento, peculato, peculato de uso, participação económica em negócio e abuso de poder, revela a Procuradoria-Geral da República (PGR) em comunicado. Diogo Gaspar será presente a um juiz de Instrução Criminal.

O Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa e a Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ fizeram várias buscas na Secretaria-Geral e no Museu da Presidência, em Lisboa; no Palácio da Cidadela em Cascais (que também faz parte do património da Presidência), em várias residências particulares na área da Grande Lisboa e Portalegre.

Ao início da tarde, em comunicado, a PJ informou que foram apreendidos "relevantes elementos probatórios, bem como diversos bens culturais e artísticos que, presumivelmente, terão sido descaminhados de instituições públicas". A operação, avança, chama-se Cavaleiro.

Esta investigação começou em Abril de 2015 e não foi a Presidência da República que fez a denúncia, sabe o PÚBLICO. Participam na operação oito magistrados do Ministério Público e cerca de três dezenas de elementos da PJ que investigam suspeitas de favorecimento de interesses de particulares e de empresas com vista à obtenção de vantagens económicas indevidas e suspeitas de solicitação de benefícios como contrapartida da promessa de exercício de influência junto de decisores públicos, refere a PGR no seu comunicado. Investigam-se, ainda, o uso de recursos do Estado para fins particulares, a apropriação de bens móveis públicos e a "elaboração de documento, no contexto funcional, desconforme à realidade e que prejudicou os interesses patrimoniais públicos", acrescenta.

Diogo Gaspar, que está no Museu da Presidência desde o seu início, em 2001, era então Presidente da República Jorge Sampaio, foi condecorado pelo Presidente socialista e, em Fevereiro deste ano, por Cavaco Silva, com o grau de Cavaleiro da Ordem de Santiago, numa cerimónia de Imposição de Insígnias. 

Marcelo deu instruções para Presidência colaborar

Entretanto, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa já deu instruções para total transparência e cooperação com as autoridades policiais na investigação que decorre no Museu da Presidência da República, disse fonte oficial de Belém à Lusa. "O Presidente da República instruiu as Casas Civil e Militar e a Secretaria-Geral para darem toda a colaboração possível às autoridades judiciais, em total transparência e abertura, e espera que a Justiça possa exercer rapidamente o seu papel. Mais instruiu o Conselho Administrativo e a Secretaria-Geral para reforçarem as medidas, já em curso, de fiscalização, controle da despesa e luta contra actividades ilícitas, auditando sistematicamente a gestão orçamental", refere um comunicado da Presidência.

Diogo Gaspar nasceu em Lisboa, a 23 de Abril de 1971, e foi também na capital, na Faculdade de Letras que se licenciou em História, variante de História de Arte, aos 22 anos Quatro anos depois, especializou-se em Ciências Documentais, opção Arquivo. Nessa altura, já havia iniciado funções no Instituto dos Arquivos Nacionais Torre do Tombo, onde chegou a ser coordenador do Gabinete de Leitura Pública.

Em Setembro de 2001, nomeado pelo então chefe de Estado Jorge Sampaio, torna-se o primeiro e único coordenador do recém-fundado Museu da Presidência da República (só três anos depois assume o cargo de director, que não existia anteriormente). Também deu aulas na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, no Instituto Superior de Línguas e Administração, na Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas e no Instituto Superior de Línguas e Administração de Bragança.

Em Março de 2006 foi condecorado por Sampaio com o grau de comendador da Ordem Nacional do Infante D. Henrique. Em Junho do mesmo ano, vence o Prémio Europa Nostra, na Categoria de Investigação, pelo trabalho desenvolvido no museu. Já este ano, em Fevereiro, Cavaco Silva condecorou-o com o grau de Cavaleiro da Ordem de Santiago.