Portugal poderá acolher crianças afegãs e comunidade Yazidi

Ao país chega nesta quarta-feira um novo grupo de 28 refugiados, elevando para 445 o total de pessoas acolhidas.

Portugal é o segundo país da UE a receber mais refugiados recolocados, a seguir à França
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Portugal é o segundo país da UE a receber mais refugiados recolocados, a seguir à França Daniel Rocha (arquivo)

Portugal recebe nesta quarta-feira um novo grupo de 28 refugiados recolocados, anunciou o ministro adjunto, Eduardo Cabrita, segundo o qual o país poderá vir a acolher crianças afegãs não acompanhadas e pessoas da comunidade Yazidi.

A ser ouvido na Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, na Assembleia da República, Eduardo Cabrita adiantou que o processo de acolhimento de refugiados recolocados entrou em "fase cruzeiro", revelando que "praticamente todas as semanas" têm chegado grupos de pessoas.

"Hoje chegam mais 28 sírios a partir da Grécia, em voo comercial, e esse tem sido o procedimento habitual nas últimas semanas", disse Eduardo Cabrita, acrescentando que Portugal tem consolidado a posição de segundo país a receber mais refugiados recolocados, a seguir à França.

De acordo com o ministro, contando com este grupo de 28 pessoas que chegam hoje, Portugal recebeu já 445 pessoas, que foram distribuídas por 63 municípios.

Eduardo Cabrita revelou igualmente que já chegaram os primeiros 12 refugiados vindos da Turquia ao abrigo do acordo feito entre este país e a União Europeia.

No âmbito da política nacional em matéria de refugiados, Eduardo Cabrita revelou que Portugal já manifestou disponibilidade para acolher crianças afegãs não acompanhadas, explicando que "foi sinalizada dificuldade para acolher estas crianças". De acordo com o ministro, Portugal poderá acolher num primeiro momento algumas dezenas de crianças, mas a disponibilidade será de receber centenas de menores.

Por outro lado, adiantou que o Governo também manifestou formalmente disponibilidade para acolher membros da comunidade Yazidi, a partir da Grécia, apontando que se trata de uma comunidade perseguida e discriminada. O ministro disse que não há, para já, uma data para a chegada destas pessoas, uma vez que os trabalhos ainda estão a decorrer.

Eduardo Cabrita aproveitou ainda para adiantar que começou a ser distribuído, desde há duas semanas, o novo manual de acolhimento para os refugiados, em inglês e árabe, estando em preparação o manual em inglês e tigrino, a língua falada pelos povos que habitam as zonas do norte da Etiópia e da Eritreia.

Novo centro de acolhimento

Na sua audição parlamentar, Eduardo Cabrita anunciou ainda que o Conselho Português para os Refugiados (CPR) vai ter um novo centro de acolhimento para refugiados, em Loures, com capacidade para receber 60 adultos e 30 crianças. A ideia é aumentar a capacidade de resposta das estruturas de primeiro acolhimento, em cooperação com o CPR e a Câmara Municipal de Loures.

De acordo com Eduardo Cabrita, o aumento da capacidade de resposta, para mais do dobro, será feito através de obras de melhoramento de um edifício já existente, cedido pela autarquia de Loures, mas perto do actual centro de acolhimento na Bobadela. Para a realização das obras, o CPR teve acesso a fundos europeus, de cerca de dois milhões de euros.

O ministro disse ainda que as obras deverão começar ainda no decorrer deste ano, e que a responsabilidade é inteiramente do CPR.