A solidão de Jean Wyllys num país homofóbico

Jean Wyllys é o único deputado assumidamente gay num Congresso brasileiro que é considerado o mais conservador de sempre. A sua luta contra a homofobia é diária. Haja cuspo.

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Antes de se eleger deputado pelo Rio de Janeiro, Jean Wyllys foi concorrente do Big Brother Gabriela Korossy (Câmara dos Deputados)

“Amada, já te atendo, ‘tá bom?”

Os minutos de espera são ocupados a pensar que outro deputado da nação (qualquer nação) a) chamaria “amada” a uma desconhecida ; b) e soasse genuíno ao fazê-lo.

O deputado chama-se Jean Wyllys, usa jeans e um casaco de cabedal, o cabelo escuro e encaracolado dá-lhe um certo ar de Jon Snow, o herói de Guerra dos Tronos. Há uns anos o Guardian descreveu-o como “um dos políticos mais pós-modernos”, presumivelmente não só do Brasil mas do mundo. Nos últimos meses, quando o Congresso brasileiro votou a favor do impeachment da Presidente Dilma Rousseff, o país e o mundo viram com horror do que era feita a classe política em Brasília: ultra-religiosos, caciques rurais, suspeitos de corrupção, gente sem carisma, um palhaço de circo (Tiririca, que foi o deputado mais votado em 2010) e elogiadores da ditadura militar. Foi um show retrógrado - democrático na aparência, mas não no espírito.

Jean Wyllys não se parece com os seus pares. É o único deputado assumidamente gay num Congresso que é considerado o mais conservador de sempre graças ao crescimento da bancada evangélica. Apesar da sua grande popularidade entre um eleitorado jovem e urbano, parece quase sempre um combatente solitário.

“A minha simples presença num Congresso em que não há outros homossexuais assumidos causa um incómodo em pessoas que colocam os homossexuais numa posição subalterna. Para a mentalidade e o imaginário dessas pessoas, os homossexuais podem, no máximo, ser artistas. Jamais ser uma autoridade da República, jamais ser um representante eleito”, diz o deputado de 42 anos no seu gabinete no Rio de Janeiro, habitado por um staff jovem e diverso. Eleito pela primeira vez em 2010, Wyllys diz que teve de conquistar o respeito dos outros congressistas porque “as piadas homofóbicas multiplicavam-se pelos corredores”.

“Se eu fosse uma caricatura do homossexual o estereótipo da bicha louca, risível, afectada -, se eu fosse o cara que usasse um fato colorido, eu não seria um problema. Antes de mim, nós tivemos um homossexual assumido na Câmara dos Deputados, Clodovil Hernandes. Que era um estilista, um cara que ganhou notoriedade porque desenhava vestidos de noivas num programa chamado TV Mulher. Ele estava dentro do que a sociedade da dominação masculina reservou como universo feminino: o espaço privado, das tarefas domésticas, da moda, das artes. Se eu correspondesse a essa caricatura, eu não seria tão combatido. Porque Clodovil não era combatido. Ao contrário, a figura dele é hoje evocada pelos conservadores e pela direita brasileira para comparar com a minha imagem. Homossexual de verdade, para eles, é aquele que, quando expressa publicamente a sua homossexualidade, é para servir ao riso, ao deboche, não para reivindicar a igualdade, não para reivindicar orgulho.” Ao contrário de Jean Wyllys, Clodovil Hernandes nunca incluiu os direitos LGBT (Lésbica, Gay, Bissexual e Transsexual) na sua agenda política. Era contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo e contra paradas de orgulho gay. O seu mandato foi curto: eleito em 2007, morreu dois anos depois, vítima de um AVC.

“Se você convive com homossexuais que estão em salão de beleza ou com homossexuais que são artistas, você tende a achar que homossexuais não querem o lugar da política. Não querem as grandes corporações, não querem ser executivos. Não é verdade, a gente quer, sim”, diz Jean Wyllys.

Reeleito em 2014, com dez vezes mais votos do que na primeira eleição, Wyllys recebeu três vezes o título de melhor deputado do Brasil por votação do público. Em 2015, os leitores da revista The Economist colocaram-no entre as 50 personalidades mundiais que mais contribuem para a diversidade, entre Barack e Michelle Obama, Bill Gates, Angelina Jolie ou a jovem activista paquistanesa Malala Yousufzai. Wyllys representa uma face moderna e cosmopolita do Brasil que o resto do mundo nem sempre tem oportunidade de ver porque o conservadorismo é simplesmente maioritário. Orgulha-se de ser o único dos 513 deputados que tem um conselho social um grupo da sociedade civil com o qual se reúne de dois em dois meses para prestar contas, debater a sua agenda legislativa e avaliar a sua actuação no Congresso. “Eu faço algo que o seu conterrâneo Boaventura de Sousa Santos, que eu admiro muito, chama de ‘democracia de alta intensidade’”, diz, com um largo sorriso.

Wyllys acredita que, se fosse heterossexual, o seu mandato seria “super louvado, teria mais repercussão”. Ainda assim, a sua presença no Congresso ajudou a mudar as expectativas e os estereótipos dos colegas sobre os homossexuais. “Muitos deputados que tinham homofobia por pura ignorância, não por maldade, ao conviverem comigo, mudaram bastante de opinião.” Inclusive deputados de esquerda, do PT (Partido dos Trabalhadores). “Muitos falam: ‘Meu filho, minha filha te admira. Você está quase roubando votos lá em casa.’ A minha actuação, a maneira como articulo diferentes agendas, levou muitos deputados a entenderem que os homossexuais são muito diversos entre si e a mudar de opinião. Nós temos uma identidade colectiva estigmatizada mas somos tão diversos quanto os heteros.”

Big Brother

De certa forma, também foi assim que Jean Wyllys ganhou a quinta edição do Big Brother Brasil em 2005: num país homofóbico, 50 milhões de espectadores votaram nele. “Quando entrei no programa disse logo que era gay para os outros participantes. Nesse momento o país parou de respirar por cinco segundos porque ninguém na história da televisão brasileira tinha dito ‘eu sou gay’ com essa clareza, com essa tranquilidade e esse orgulho em horário nobre.” Jean conseguiu afirmar-se para além da sua mera orientação sexual, produzir outras identificações junto da audiência. “O facto de eu ser amigo das mulheres; o facto de eu tratar bem a minha mãe; o facto de eu ser baiano, nordestino, de eu falar das religiões de matriz africana… tudo isso foi produzindo diferentes identificações. Então, tinha gente que pensava: ‘É, ele é gay, mas ele trata super-bem a mãe dele.’ A dona de casa, que tem filhos, ao ver aquilo, falava: ‘Puxa, esse menino bem que poderia ser meu filho.’ Ao me verem tratar as meninas na casa, como eu era amigo delas, servia de ombro e tal, as mulheres diziam: ‘Pô, esse cara é bacana. Ele é gay mas vou votar nele.’ A comunidade LGBT, claro, se identificou porque era uma representação positiva. Mas tinha outras. Num país homofóbico, eu pude vencer a homofobia graças a esse conjunto de identificações.”

Com o milhão que ganhou no programa, Jean Wyllys comprou uma casa para a mãe e um apartamento em Copacabana. Teve convites de mais de um partido para iniciar uma carreira política. Filiou-se no PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), que tem um perfil ideológico muito semelhante ao Bloco de Esquerda em Portugal e, como este, nasceu da confluência de pequenos partidos ou movimentos. Tem uma bancada minúscula de seis parlamentares.

Muitos brasileiros suspeitaram que, ao candidatar-se a deputado, Wyllys estava a tentar prolongar os seus 15 minutos de fama depois do Big Brother. Hoje não são poucos os que admiram a sua coragem e frontalidade política num Congresso hostil. É autor de projectos de lei em favor da descriminalização do aborto, da legalização do comércio e consumo de canabis, e da legalização da prostituição. Nunca conseguiu aprovar nenhum. “Mas eu tinha a certeza que não aprovaria. Projectos menos polémicos que esses demoram duas, três legislaturas para serem aprovados. Imagina um projecto dessa natureza”, diz. O que o move, então? “Eu sabia que, ao apresentar o projecto de legalização da cannabis, ele não seria aprovado de imediato, mas iria detonar um debate que vai preparar a sociedade para ser aprovado. Desde que eu lancei esse projecto, a Folha de S. Paulo fez um editorial favorável à legalização. Os grupos de activistas pela legalização aumentaram inclusive, mães de crianças com epilepsia que precisam de cannabidiol, um derivado da maconha [marijuana], criaram um movimento chamado Repense. Quando eu apresentei a Proposta de Emenda Constitucional do casamento civil igualitário, nós não aprovámos lá na Câmara. Mas o debate que provocámos e a campanha que fizemos na sociedade fez com que o Supremo Tribunal Federal garantisse o casamento. Não aprovámos no Congresso, mas foi uma conquista da sociedade através do judicial. A performance de um deputado não é medida só pela quantidade de leis que aprova. Até porque ele aprova uma lei num conjunto de discussões e debates com outros deputados. O meu debate ajudou a aprovar leis importantes e a impedir que leis ruins fossem aprovadas.”

Homofobia que mata

O Brasil, nação do Carnaval, expoente de uma sexualidade libertária, sem limites, é também o país onde os homicídios provocados pela homofobia atingem níveis alarmantes (318 vítimas em 2015) e o mais mortífero do mundo para transsexuais. Uma desigualdade social gritante e os atrasos educacionais do Brasil são terreno fértil para a perpetuação e reforço dos preconceitos. “A homofobia vigora muito mais onde você não tem a chance de desconstruir ela”, diz Jean Wyllys. O Brasil é um país de maioria católica, com uma comunidade evangélica em crescimento estima-se que 22% da população é evangélica. “Essas religiões fazem um contraponto ao que a educação deveria fazer. Se a educação deveria desconstruir as faltas certezas, a religião reafirma as falsas certezas. E se a gente não tem um estado de direito forte que garanta o acesso das pessoas a uma educação de qualidade e a bens culturais, as religiões triunfam e as falsas certezas permanecem. Talvez por isso o Brasil seja um país em que a homofobia se expressa mais do que noutros países em que as democracias são mais sólidas, em que o Estado é laico.” As igrejas evangélicas têm 92 deputados no Congresso, entre bispos e pastores, uma autêntica frente religiosa que trava avanços sociais e se posiciona como tampão dos direitos civis da comunidade LGBT. 

A conversa com Jean Wyllys decorre numa sexta-feira à tarde, véspera do tiroteio numa discoteca gay em Orlando, na Florida, em que 49 pessoas foram mortas em função da sua orientação sexual. Muitos dos crimes homofóbicos registados no Brasil são extremamente violentos. “Furam os olhos. Arrancam os órgãos sexuais e enfiam na boca. Para o assassino, não basta só aquela vítima. Ele quer incidir sobre a comunidade à qual pertence aquela pessoa. Então não basta matar. Tem que ir além. Tem que profanar o corpo e deixar um recado para toda a comunidade.” A maior parte dos criminosos, diz, não chegam a ser punidos ou recebem penas brandas, por causa de uma “homofobia institucional”. Muitos homossexuais fazem o que Wyllys chama “uma gestão esquizofrénica” das suas vidas: vivem a sua orientação sexual de forma clandestina, sem que as suas famílias saibam. Quando um crime acontece, a polícia vai falar em primeiro lugar com a família. ‘E vai perguntar: ‘O seu filho é gay?’ A família vai dizer que não. Eles até desconfiam que o filho é gay, mas têm vergonha, então vão dizer que não. O policial raramente ouve os amigos e, se ouvir e os amigos apontarem a motivação homofóbica, o delegado vai imediatamente desqualificar e dizer que foi um latrocínio, um roubo seguido de morte. O delegado faz isso porque é um mecanismo muito subtil de como funciona o preconceito tem desapreço pela homossexualidade, não gosta de gays, não quer que o filho dele seja gay, acha que homossexual é nojento. Ao negar a motivação homofóbica, ele nega para si mesmo que seria capaz de matar pelo mesmo motivo. Resultado: dá uma linha de investigação para o crime que jamais chega aos assassinos. No Brasil, a maior parte dos crimes homofóbicos não foram concluídos, não chegaram a lado nenhum, os algozes não foram descobertos. E, em muitos outros casos em que foram descobertos, receberam pena branda. Os juízes entenderam quando eles argumentaram que foram atacados pelos gays: ‘Ele tentou transar comigo, por isso eu matei ele.’ A vida humana passa a valer menos do que o suposto assédio que o gay teria feito. Isso é o que chamo de homofobia institucional.”

A cuspidela

Jean Wyllys é um alvo permanente de ofensas e comentários homofóbicos na Internet. Os seus assessores de comunicação passam muito tempo desmentindo rumores difamatórios, como a ideia que Wyllys propôs uma emenda constitucional para limpar a Bíblia de qualquer conteúdo homofóbico ou que pretende tornar o ensino do islamismo obrigatório nas escolas brasileiras. Um dos boatos mais recentes é o de que culpou os cristãos pelo ataque na discoteca gay de Orlando. O facto de serem nonsense não tem sido filtro suficiente para matar esses rumores à nascença.

Jean Wyllys e Jair Bolsonaro têm protagonizado uma guerra muito mediática, sobretudo desde a votação do impeachment de Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, no dia 17 de Abril. Bolsonaro, 61 anos, é um extremista de direita que defende a pena de morte e que diz que preferia que um dos seus filhos morresse num acidente a ser homossexual. Foi o deputado mais votado no Rio de Janeiro, o mesmo estado que elegeu Jean Wyllys. É pré-candidato à Presidência da República em 2018. Na sua declaração de voto a favor do impeachment de Dilma homenageou Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos mais temíveis torturadores da ditadura militar brasileira. Pouco depois, chegou a vez de Jean Wyllys votar contra o impeachment. A sua intervenção foi inflamada e colérica. “Eu estou constrangido de participar dessa farsa, dessa eleição indirecta conduzida por um ladrão, urdida por um traidor conspirador e apoiada por torturadores, covardes, analfabetos políticos e vendidos”, declarou, sob uma chuva de vaias. Quando Wyllys terminou e deixou o microfone, Bolsonaro, que estava perto, dirigiu-lhe insultos homofóbicos, chamando-lhe “queima-rosca” e dizendo “tchau, querida”.

Wyllys reagiu cuspindo em Bolsonaro. “Há seis anos, desde que eu entrei na Câmara dos Deputados, que esse senhor me insulta nas sessões das comissões e no plenário, chama-me os nomes mais horríveis, e faz as colocações mais grotescas, constrangedoras em relação à minha sexualidade. E todos os outros deputados, mesmo os progressistas, mesmo os mais próximos a mim, tendem a naturalizar isso. Tendem a tratar isso como, no máximo, da ordem da brincadeira, da graça. ‘Não, ele é uma caricatura, não leve em conta.’ Foi exactamente por ser tratado dessa maneira ao longo dos anos que o fascismo cresceu no Brasil e hoje ele tem 8% das intenções de voto para a Presidência da República. Enquanto ele insultava os homossexuais, as pessoas não se incomodavam, as pessoas riam. Afinal de contas, as pessoas contam piadas machistas, mesmo dizendo que não são homofóbicas. Elas usam a homossexualidade para sacanear os amigos. Nos estádios elas chamam o adversário de ‘viado’ [maricas]. Então, por que vão se incomodar com o que o Bolsonaro está fazendo? Entretanto, o alvo dele deixou de ser só os homossexuais. Passou a ser as mulheres, passou a ser os negros. Essa é a questão do fascismo: ele é insidioso, ele vai seduzindo as pessoas. E sempre começa com o público mais vulnerável, aquele que pode ser facilmente convertido em inimigo público. Não me arrependo de ter cuspido e cuspiria outra vez na cara dele. E acho que, como disse Agualusa num artigo [no jornal O Globo], foi uma cuspidela redentora. Porque foi um acto que incidiu sobre uma pessoa mas na verdade acabou incidindo sobre um colectivo, sobre aquele espectáculo grotesco, sobre aquele congresso nacional, sobre o conservadorismo, sobre o atraso, o obscurantismo. Então, não tenho por que me arrepender”, ri-se.

Recebe ameaças de morte desde o primeiro mês do seu mandato. Diz que toma precauções quando participa em eventos públicos. “Tem seguranças estrategicamente colocados. A minha agenda só é divulgada depois, quando eu já estou no evento, para não dar tempo de nenhum planeamento ou coisa do tipo.” Muitos dos seus admiradores temem que se canse um dia. “Não vou mentir para você e dizer que eu já não pensei em desistir. Pensei, sim. Houve momentos duros em que as ameaças se intensificaram e chegaram até à minha família, em que eu pensei: ‘Você não é o Super-Homem, páre com isso.’ Mas, ao mesmo tempo, outra voz diz: ‘Tenha responsabilidades, também, pelo que você fez.’ Não que eu vá chegar ao limite do sacrifício. Não tenho vocação para o heroísmo. Eu sou demasiado humano, tenho defeitos e assim gosto de me apresentar para as pessoas. Por isso é que não me arrependo do cuspe.”

No seu telemóvel, colocado em cima da mesa, chovem mensagens durante a entrevista, que se estende por uma hora, mas em momento nenhum Jean Wyllys se distrai ou pede para olhá-las.

Filho de uma lavadeira e de um pai que virou alcóolico, Wyllys nasceu na Bahia, na extrema pobreza, mas não deixou que isso encurtasse as suas ambições num país onde pobres e nordestinos são vistos com desprezo. Como Lula da Silva, a sua história é bem brasileira.

“Não era para eu estar aqui. Passei a infância inteira abaixo da linha da miséria. Passando fome, sabe? Comecei a trabalhar aos dez anos de idade, vendendo nas ruas, para ajudar a minha família. Antes disso, quando estava para completar um ano, tive uma crise de desnutrição agravada por uma disenteria, e os meus pais acharam que eu estava morto. O meu pai saiu de casa para comprar um caixão de bebé. Eu não tinha sido baptizado ainda. A minha mãe chamou dois vizinhos, que já morreram inclusive, Dona Didi e Seu Maximino, para dar umas palavras, para eu não morrer pagão. E quando eles puseram a vela na minha mão para dizer as palavras, a cera da vela caiu na minha mão e eu chorei. E aí minha mãe viu que eu não estava morto. A pobreza, o alcoolismo do meu pai… Não me deixaram uma pessoa ressentida, rancorosa. Mas sou uma pessoa que tem consciência dessa história e por que é que eu tenho de lutar por um mundo mais justo, um mundo melhor. Você entendeu?” Esboça um sorriso. “E sendo gay. É isso.”