"O país precisa de uma nova liderança", diz Cameron ao anunciar demissão

"Farei tudo para manter o navio estável, mas não seria certo ser eu o capitão que vai levar o país até ao seu próximo destino", afirmou depois da derrota no referendo.

David Cameron
Foto
David Cameron ADRIAN DENNIS/AFP

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou que vai sair do cargo, na sequência do resultado do referendo sobre a saída da União Europeia.

Cameron disse que o futuro chefe de governo do Reino Unido deverá tomar posse até Outubro e liderar as negociações com vista à saída da União Europeia.

O ainda primeiro-ministro anunciou que sairá também da lideraça do seu Partido Conservador. O sucessor do chefe de governo deverá ser escolhido no interior do partido, para cumprir o mandato para o qual foi eleito em Maio de 2015.

"O país precisa de uma nova liderança", afirmou Cameron, numa declaração à porta do nº 10 de Downing Street, a sua residência oficial desde 2010.

"Farei tudo para manter o navio estável, mas não seria certo ser eu o capitão que vai levar o país até ao seu próximo destino", afirmou. 

A primeira decisão que o novo primeiro-ministro terá pela frente será a de escolher o momento para accionar o Artigo 50º do Tratado de Lisboa, que põe em marcha as negociações para a separação. Só depois deste passo deverão começar as negociações para a separação.

Durante meses, o líder conservador insistiu sempre que o seu futuro político não estava ligado ao resultado do referendo, da mesma forma que, no decorrer da campanha, assegurou que se os britânicos votassem a favor da saída da UE iria desencadear o processo para a saída da UE "na segunda-feira seguinte".

Mas o governo e o partido que ainda lidera apresentaram-se divididos neste referendo e, durante a campanha, um e outro lado trocaram acusações e até insultos que tornaram insustentável a posição de Cameron.

Na despedida, o líder conservador – que há pouco mais de um ano conseguiu, contra todas as expectativas, maioria absoluta no Parlamento – afirmou-se “orgulhoso” do trabalho do seu governo e reafirmou a sua convicção de que o Reino Unido conseguirá superar a instabilidade que o processo de saída da UE trará.