Taróloga polémica dispensada pela SIC

Carla Duarte aconselhou suposta vítima de violência doméstica a mimar o agressor, o que fez chegar cerca de 200 queixas à Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

A SIC cessou a colaboração com Carla Duarte, a taróloga que recomendou a uma suposta vítima de violência doméstica que mimasse o marido agressor, como se ele fosse um filho. É o desfecho de uma onda de indignação que se propagou pela Internet e fez chegar cerca de 200 queixas à Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

Uma espectadora, identificada como Maria Glória, telefonou para o programa A Vida nas Cartas – O Dilema na expectativa de saber como estava a sua saúde e se o marido lhe era ou não fiel. “Ando muito nervosa derivado ao meu marido”, afiançou. “Há 40 anos que eu sofro de violação doméstica, como é que se diz isso?”, perguntou. “Violência”, auxiliou a taróloga. “Ele bate-me, ele faz…”

A taróloga recomendou paciência. Aconselhou Maria Glória a não discutir, a não procurar conflito. “Se damos violência, recebemos violência. Se você recebe violência, corte este ciclo e não dê violência, nem que seja por palavras ou… mime-o. Por muito difícil que isso seja, por muito difícil que isso seja. Está bem?”, declarou.

Maria Glória ainda disse: “É muito difícil, sim. Tenho de andar sempre à frente, a fazer as pazes.” E Carla Duarte respondeu: “Pois tem. Como se fosse a mãe. E continue, que é para isto não piorar. E assim não piora. Está bem? Você conhece-o bem, sabe como é que lhe pode dar mimo.”

Foi um dos grandes temas do dia nas redes sociais em Portugal. Dias depois, a SIC emitiu um comunicado a esclarecer que o canal não se revia "no comentário feito pela colaboradora do programa. "A situação foi discutida com a taróloga, ocasião em que terá ficado ‘expresso o desagrado’, lia-se.

Naquele mesmo dia, Carla Duarte esteve num programa da tarde a apresentar um pedido de desculpas: "Assumo que não fui o suficientemente ágil na abordagem da questão. Por isso, peço desculpa a todos quantos se sentiram indignados com as minhas palavras, que são da minha inteira responsabilidade.”

O gabinete de relações públicas da Impresa confirmou agora ao PÚBLICO, por escrito, que a colaboradora foi dispensada e que os motivos são os expressos no já referido comunicado. O programa, no entanto, mantém-se no ar.