Governo assegura manutenção da unidade de neonatologia do Hospital de Évora

Proposta de rede de refenciação hospitalar materna, da crinaç e do adolescente está em discussão pública até ao final do mês

Em Portugal, todos os anos há quase dez mil prematuros
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Em Portugal, todos os anos há quase dez mil prematuros Foto: Rui Gaudêncio

O Ministério da Saúde assegurou esta quinta-feira a manutenção da unidade de neonatologia do Hospital de Évora, ao contrário da proposta de um grupo de trabalho, a qual se encontra em consulta pública até ao final deste mês. Na proposta de Rede de Referenciação Hospitalar em Saúde Materna, da Criança e do Adolescente propõe-se o fecho da unidade de neonatologia do Hospital do Espírito Santo de Évora, o que deixaria o Alentejo sem uma unidade de neonatologia com cuidados intensivos neonatais.

“O Ministério da Saúde pretende de forma tranquila aguardar pelo fim do período de discussão pública do documento técnico [30 de Junho], para avaliar e integrar as propostas que sejam pertinentes, na defesa do interesse público, manifestando desde já uma clara intenção política de não retirar a cirurgia pediátrica nem a neonatologia do Hospital de Évora”, lê-se num comunicado do gabinete do secretário de Estado Adjunto e da Saúde.

Segundo a nota, os indicadores de qualidade do Alentejo “mostram claramente a utilidade da diferenciação do Hospital de Évora na área da neonatologia”, além de o Alentejo apresentar “excelentes indicadores, sobretudo na mortalidade infantil e neonatal”. Para a tutela, esta unidade “tem instalações adequadas, equipamentos, recursos humanos especializados e bons indicadores assistenciais”, e considera-se “determinante, também, o factor geográfico, com cobertura de uma vasta área territorial, muito relevante para conseguir assegurar a coesão territorial”.

O Ministério da Saúde pretende, desta forma, “manter a equidade de acesso das populações aos cuidados de saúde, pugnando pela proximidade e integração das políticas, assim como pela qualidade dos resultados”.

A proposta da Rede de Referenciação Hospitalar Materna, da Criança e do Adolescente foi entregue em Maio pelo grupo de trabalho nomeado em 2014 e está em discussão pública durante este mês.

Na quarta-feira, a presidente do conselho de administração do Hospital do Espírito Santo de Évora, Maria Filomena Mendes, mostrou-se contra o eventual encerramento da unidade de neonatologia com cuidados intensivos neonatais, considerando que seria “um retrocesso para o acesso à saúde” na região.

Também o PCP de Évora afirmou hoje que “repudia liminarmente” a proposta, sublinhando que unidade de neonatologia do hospital é “um serviço de ponta” e “reconhecido como exemplar” no Alentejo. Na terça-feira, o PSD manifestou-se preocupado com o eventual encerramento desta unidade. “É um serviço de grande qualidade prestado na região. Se isto vier a acontecer, é uma vergonha”, afirmou, na ocasião, o deputado do PSD eleito pelo círculo de Évora, António Costa da Silva.