Inglaterra impõe-se em duelo britânico com golo fora de horas

Jamie Vardy e Sturridge deram a volta ao resultado (2-1), depois de Gareth Bale ter colocado o País de Gales em vantagem.

Vardy entrou na segunda parte e fez o primeiro golo de Inglaterra
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Vardy entrou na segunda parte e fez o primeiro golo de Inglaterra Lee Smith/Reuters
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Daniel Sturridge após o remate decisivo Christian Hartmann/Reuters

A Inglaterra operou a primeira reviravolta do Europeu e assumiu o comando do Grupo B graças a dois golos dos suplentes Jamie Vardy e Daniel Sturridge, que anularam a vantagem conseguida pelo País de Gales mesmo em cima do intervalo. Foi aos 92’ que o duelo britânico ficou definitivamente resolvido. Sturridge, na sequência de um ressalto, fez o 2-1 para os ingleses e coroou de êxito as alterações promovidas por Roy Hodgson no segundo tempo.

Em Lens, Vardy e Sturridge assumiram-se como algozes do País de Gales, funcionando como os verdadeiros pilares da segunda reviravolta inglesa em matéria de fases finais de Europeus, conferindo ainda um sabor muito especial ao duelo de “irmãos” com aquele golo em tempo de compensação a mitigar o desgosto sofrido frente à Rússia, nos descontos da primeira jornada.

De volta à primeira forma, ainda com Harry Kane e Raheem Sterling em campo, os primeiros instantes revelaram um País de Gales determinado a selar uma histórica qualificação e a repelir qualquer tentativa de reclamar vassalagem por parte dos ingleses.

Sob a égide de Bale, a equipa organizou-se em função do vaivém de Aaron Ramsey, elemento crucial para romper os equilíbrios e desafiar a lógica da coroa britânica. Chris Coleman apresentou três alterações em relação ao jogo com a Eslováquia, apostando em Joe Ledley para endurecer o embate na zona nevrálgica, compactada com os falsos alas Gunter e Taylor, só com preocupações defensivas. Robson-Kanu foi a outra novidade, como par de Bale, enquanto na baliza Hennessey recuperava a titularidade.

O papel de agente provocador, interpretado na perfeição por Bale quando decidiu afectar o orgulho inglês — ainda na antecâmara deste histórico duelo —, foi evocado desde o apito inicial, embora sem a capacidade para beliscar o poderio de uma Inglaterra que em apenas 30 minutos construiu a mais flagrante ocasião de golo, inexplicavelmente desperdiçada por Sterling, e ainda reclamou dois penáltis, consequência de um empurrão de Ben Davies a Dele Alli e de um desvio com a mão do mesmo Davies em disputa com Harry Kane.

Nesta altura, o País de Gales unia-se, recolhia estrategicamente as garras enquanto juntava linhas, ficando apenas à espera de poder ferir de morte o “leão” numa cavalgada de Bale. Ironicamente, seria novamente de bola parada que, aos 42’, o galês iria surpreender um Joe Hart demasiado confiante. Tudo na sequência de um livre a punir falta aparentemente inofensiva de Wayne Rooney sobre Joe Allen, os dois pêndulos do jogo, as unidades com capacidade para pensar e reprogramar ao segundo a táctica, adequando-a a cada momento.

A Inglaterra acusava o golpe e tentava estancar a hemorragia, sem expor em demasia a jugular que o “dragão” perseguia. Este já não era o tempo nem o lugar para fanfarronices e os ingleses trataram de arregaçar as mangas, com Roy Hodgson a tirar dois trunfos de uma assentada. Jamie Vardy, no arranque da segunda parte, era chamado a render Harry Kane, enquanto Sterling cedia a vaga a Sturridge. Os galeses mentalizavam-se, subitamente, para a eventualidade de ter que suportar horrores. A pressão passou para uma escala quase intolerável e o golo do empate parecia uma inevitabilidade. Aos 56’, Vardy confirmava os piores receios de Hennessey, impotente para desfazer o remate à meia-volta a aproveitar um desvio desastrado de Ashley Williams para a pequena área.

A intensidade e o brilho da armada inglesa ofuscava os sitiados galeses, que já só se limitavam a respirar quando colocavam a bola longe da área na tentativa de contrariar as incursões de Walker e Lallana, ou os raides de Sturridge e Vardy, sempre com Rooney ao leme e Alli a perfurar. E o golpe fatal chegou já depois da hora. Sturridge aproveitou uma combinação pela esquerda — onde entretanto se integrara o estreante Rashford como o mais novo jogador deste Europeu — e um ressalto para rematar prontamente para golo.

Subitamente, Inglaterra passava para a frente no marcador e para a dianteira do Grupo B, com quatro pontos somados (mais um do que País de Gales e Eslováquia), repondo a justiça que Bale ainda tentou contestar com um cabeceamento muito perigoso a esgotar todas as hipóteses de igualar um duelo intenso.