Tocar guitarra tornou-se um sofrimento para Eric Clapton

O músico, que acaba de editar um novo álbum, I Still Do, sofre de neuropatia periférica, doença que afecta os nervos dos braços, mãos ou pernas. “Tocar guitarra é trabalho árduo e tive de me conformar com o facto de que não irá melhorar."

O guitarrista, aqui num concerto em Barcelona, em 2004, deu a entender há dois anos que poderia estar para breve o abandono dos palcos
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O guitarrista, aqui num concerto em Barcelona, em 2004, deu a entender há dois anos que poderia estar para breve o abandono dos palcos Gustau Nacarino/REUTERS

Nos anos 60, quando ainda era “apenas” o guitarrista dos John Mayall & Bluesbreakers, Londres acordou um dia para ler, numa das suas paredes, uma inscrição que se tornaria lendária: Clapton is God. Depois chegou o trabalho com os Cream e firmou-se o estauto de Clapton como divindade da guitarra. O percurso a solo que se seguiu, a partir dos anos 70, serviu meramente para lhe aumentar a popularidade.

Clapton, tal como suspeitávamos, não é Deus. A confirmação chegou pela voz do próprio. Em entrevista à revista Classic Rock, o guitarrista, hoje com 71 anos e que acaba de editar um novo álbum, I Still Do, confessou que tocar guitarra é-lhe crescentemente difícil. “É trabalho árduo e tive de me conformar com o facto de que não irá melhorar”. A causa? Neuropatia periférica, uma disfunção nervosa que afecta a extremidade dos membros – “sinto como se a minha perna fosse percorrida por choques eléctricos”, descreveu.

A doença foi diagnosticada em 2013, ano em que o cantor de Wonderful tonight foi obrigado a cancelar alguns concertos devido a uma dor de costas aguda. No ano seguinte, deu a entender que poderia estar para breve o abandono dos palcos, o que, até agora, não aconteceu.

A neuropatia periférica de que padece Clapton pode ser consequência de uma vida de excessos – consumo excessivo de álcool é uma das causas possíveis. Olhando para trás, o guitarrista relativiza o seu estado de saúde actual. “O simples facto de estar vivo já é óptimo”, disse. “Não sei como sobrevivi, particularmente nos anos 70. Por qualquer razão, fui arrancado das mandíbulas do Inferno e foi-me dada uma nova oportunidade”, afirmou, recordando um momento em particular em que sentiu a proximidade da morte. Aconteceu quando foi transportado de emergência para o Hospital de St. Paul, no Minnesota (EUA). “Tinha três úlceras e uma delas estava a sangrar. Andava a beber três garrafas de brandy por dia e a tomar codeína às mãos-cheias. Estive próximo de fazer o ‘check out’."