“Quem tem o guarda-chuva é o primeiro-ministro de esquerda”

Numa grande festa portuguesa na região de Paris, Marcelo voltou ao elogio aos portugueses. “O povo português é melhor do que os seus políticos”, disse. Mas foi António Costa que o protegeu da chuva intensa que caía enquanto discursava.

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António Costa protege Marcelo Rebelo de Sousa da chuva Daniel Rocha

O cantor popular Luís Filipe Reis já tinha dito, no seu espectáculo na Festa da Rádio Alfa um dos maiores eventos de emigrantes portugueses na região de Paris –, que “os portugueses cá fora são os melhores e agora o senhor Presidente deu-me razão”. E o tom de elogio manteve-se quando o espectáculo do cançonetista foi interrompido para os discursos do primeiro-ministro e do chefe de Estado. Em palco, perante milhares de pessoas que os ouviram debaixo de chuva, Costa e Marcelo puxaram pelo orgulho e pela selecção nacional.

“Somos grandes, os portugueses, porque nos fizemos sempre contra o vento e contra a chuva, e eu vou manter-me aqui à chuva para verem que o Presidente está convosco”, proclamava o chefe de Estado quando a água começou a cair mais intensamente: “Não somos um povo que se fizesse com a sorte, mas apesar da sorte. Foi o povo que fez Portugal. O melhor de Portugal é o povo. O povo é melhor do que os políticos”.

Nessa altura, António Costa aproxima-se de Marcelo para o proteger com um grande guarda-chuva onde se lê “Fidelidade”. O chefe de Estado sorri e diz: “Reparem que quem tem o guarda-chuva é o primeiro-ministro de esquerda. E quem apoia é o Presidente que veio da direita”. Minutos depois, Marcelo dispensa Costa, dizendo que já não chovia. E prossegue o discurso retomando o apelo que o primeiro-ministro fizera um pouco antes: “Vamos apoiar a nossa equipa [selecção nacional] e vamos apoiar a equipa que é o nosso país”, diz, elevando a voz por cima dos gritos “Portugal, Portugal” dos milhares de emigrantes e luso-descendentes presentes.

António Costa tinha falado antes, quando ainda não chovia. Anunciou para breve o primeiro espaço do cidadão na região de Paris e o avanço nas conversações sobre o ensino da língua portuguesa no sistema de ensino francês. E puxou pelo apoio a Portugal no Europeu de futebol: “A selecção nacional não está a jogar no estrangeiro porque aqui, junto da comunidade portuguesa, está a jogar em casa e é em casa que vai ganhar”. 

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