"Ataque de terror e ódio" em Orlando foi o pior da História dos EUA

Estado Islâmico reivindicou atentado cometido por americano de origem afegã a discoteca LGBTI na Florida. "Não vamos ceder ao medo ou virar-nos uns contra os outros", disse Obama.

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Amigos e familiares reagem à matança na discoteca Pulse, em Orlando Steve Nesius/REUTERS
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Foi um acto de “terror e de ódio”, resumiu o Presidente Barack Obama, embora não se saiba ainda o que levou o cidadão americano de origem afegã, Omar Mateen, a atacar a discoteca gay Pulse em Orlando, na Florida. No ataque a tiro mais mortífero da História dos Estados Unidos, trocou tiros com 11 agentes do corpo de intervenção da polícia e matou 50 pessoas, ferindo 53, depois de ter prestado juramento ao Estado Islâmico – num telefonema feito para o 112, momentos antes do ataque.

Armado com uma espingarda, uma pistola e o que se pensa ter sido um engenho explosivo – que a polícia desactivou junto à porta da discoteca –, o atirador fez reféns e manteve a discoteca para pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgénero e intersexo (LGBTI) sob sequestro durante três horas, disse o chefe da polícia local, John Mina. O crime está a ser investigado como um caso de terrorismo.

“Nenhum acto de terror e de ódio pode mudar aquilo que nós somos”, disse Barack Obama, de cara fechada – esta é a 18.ª vez, durante os seus dois mandatos, que tem de discursar depois de um ataque a tiro mortal. “O que é claro é que este acto foi cometido por uma pessoa cheia de ódio. Iremos onde os factos nos levarem”, prometeu o Presidente dos EUA.

Obama fez um apelo à unidade: “Face ao ódio e à violência, amemo-nos uns aos outros. Não vamos ceder ao medo ou virar-nos uns contra os outros. Vamos permanecer unidos como americanos para proteger o nosso povo e defender a nossa nação, e agir contra os que nos ameaçam.”

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Uma das imagens do terrorista de Orlando que circula na Internet DR

Omar Mateen é de origem afegã mas nasceu nos EUA, em Nova Iorque, e trabalharia como segurança, diz a NBC News. Tinha várias licenças de porte de armas. Mateen estava sob vigilância da polícia, desde 2013, embora nunca tenha sido detido.

Beijo de homens

A NBC News chegou à fala com o pai do atirador. “Isto não tem nada a ver com religião”, disse Mir Seddique. Segundo contou, o seu filho ficou muito zangado, há uns meses, quando viu dois homens a beijarem-se em Miami. 

Omar Mateen, um homem violento, irascível e mentalmente perturbado

Quem avançou a informação de que terá prestado juramento ao Estado Islâmico antes de atacar a discoteca foi um congressista norte-americano, Adam Schiff. Mas a agência noticiosa ligada ao EI, AAMAQ, reivindicou o atentado, dizendo ter sido perpetrado por “um soldado do califado”. O mesmo aconteceu com o casal que matou 14 pessoas em San Bernardino, na Califórnia, em Dezembro passado, que reclamou a inspiração do EI.

Uma conta do Twitter relacionada com o Estado Islâmico já tinha divulgado uma fotografia do homem de 29 anos dizendo tratar-se de Omar Mateen, antes de haver declarações oficiais e a mesma imagem foi publicada por outras contas relacionadas com o grupo terrorista, relata a Reuters. Várias dessas fotografias estão a ser publicadas pela CBS e pela BBC, entre outros media. São selfies, sempre do mesmo homem, tiradas sempre em pose, com sorriso ou até a fazer beicinho.

Como o ataque foi considerado um caso de terrorismo, o FBI juntou-se à investigação. "Se consideramos que isto é um acto de terrorismo? Totalmente, estamos a investigar este caso de todas as perspectivas como um acto de terrorismo. Quer se trate de terrorismo doméstico ou internacional, temos de levar a investigação até ao fim", disse Danny Banks, agente especial do FBI, citado pela Reuters. As autoridades estão convencidas de que não há risco de mais atentados em Orlando – o ataque terá sido iniciativa de um "lobo solitário".

Mateen entrincheirou-se no interior de uma casa-de-banho do clube com cinco reféns, descreve uma televisão local, até ter sido abatido pela polícia, pelas 7h de Lisboa, segundo a Reuters. Pelo menos 53 pessoas receberam tratamento hospitalar, disse o mayor de Orlando. Foi declarado estado de emergência em toda a Florida.

"Saiam e corram"

Na página de Facebook da discoteca, um último post foi publicado por volta das 2h (7h em Lisboa): “Saiam todos do Pulse e corram”.

Anthony Torres estava dentro da Pulse na altura do incidente e publicou na sua página de Facebook vídeos do exterior do local onde se vêem carros da polícia, ambulâncias e feridos no chão. Uma outra testemunha, Ricardo J. Negrón Almodovar, escreve que quem estava mais perto da zona do bar conseguiu sair pelas traseiras do edifício. À Sky News, uma testemunha disse que a discoteca estava cheia, com mais de cem pessoas na altura do tiroteio.

O Pulse é um estabelecimento emblemático da LGBTI na Florida e nos EUA, diz a AFP. Foi fundado em 2004 por Barbara Poma, que perdeu o seu irmão, John, em 1991, vítima de sida. Para ela, a discoteca é uma forma de “despertar as consciências” sobre a causa das pessoas LGTBI e sobre a prevenção da infecção pelo vírus HIV. Não só o Pulse é um clube popular, como é bastante activo em termos comunitários.

A discoteca era, por isso, um alvo bastante visível para quem pretendesse atacar gays.

Numa nota positiva, são relatadas grandes filas para doar sangue. Mas também há muita polémica sobre a proibição de os gays doarem sangue, por se considerar que há a possibilidade de transmitirem o vírus da sida.

Só desde o início deste ano, os episódios de violência com armas de fogo nos EUA foram responsáveis por 5800 mortes em mais de 23.000 incidentes, de acordo com o site Gunviolencearchive.org.