Prémios Nobel britânicos dizem que “Brexit” ameaça investigação

Carta assinada por 13 cientistas alerta para a possibilidade de cortes no financiamento das universidades.

Foto
O cientista Peter Higgs, vencedor do Prémio Nobel da Física de 2013 Fabrice Coffrini / AFP

É o mais recente apelo ao eleitorado britânico para que vote pela permanência do Reino Unido na União Europeia. Alguns dos mais importantes cientistas britânicos assinaram uma carta aberta publicada este sábado no diário Daily Telegraph em que alertam para a possibilidade de a investigação poder ficar privada do financiamento comunitária.

“Dentro da UE, o Reino Unido ajuda a alimentar a maior máquina científica do mundo”, escrevem os 13 cientistas, todos eles galardoados com o Prémio Nobel. “As decisões da UE sobre a política científica, financiamento e quadros regulatórios afectam a ciência em todo o mundo e são influenciadas pelos cientistas britânicos. Pelo lado de dentro, o Reino Unido tem acesso a pessoas e a financiamento e detém uma influência científica global, bem superior à que temos sozinhos.”

Entre os cientistas que subscrevem o apelo estão nomes como Peter Higgs, que previu a existência da partícula que confere massa a todas as outras (o bosão de Higgs), ou o geneticista Paul Nurse. Uma sondagem recente realizada pela revista Nature mostrava que quase 90% dos cientistas inquiridos quer manter o país na UE.

Saiba tudo sobre o referendo britânico

Na sexta-feira uma outra carta assinada por 150 membros da Royal Society, entre os quais o físico Stephen Hawking, foi publicada no jornal Times e defendia a permanência do Reino Unido. Uma saída seria “um desastre para a ciência”, avisavam os académicos.

A investigação científica tem sido uma das principais arenas no combate entre as campanhas a favor do “Brexit” e do “Remain”. Uma comissão parlamentar tem estado a trabalhar num plano de contingência para aplicar ao sector científico no caso de uma vitória da saída no referendo de 23 de Junho.

Os defensores da saída consideram que o financiamento da investigação científica não sofreria qualquer impacto. “O maior mito nesta campanha é o de que o dinheiro que financia as nossas universidades, os nossos agricultores vem de uma árvore mágica de dinheiro em Bruxelas. Não existe algo que seja dinheiro da UE, é tudo pago pelos contribuintes britânicos como parte dos 350 milhões de libras enviados para Bruxelas todas as semanas”, afirmou à BBC um porta-voz da campanha pela saída.

Ninguém sabe o que pode acontecer no dia seguinte a uma possível vitória dos apoiantes do “Brexit” – nunca um Estado-membro da UE tentou abandonar o bloco comunitário. Mas uma simples sondagem permitiu vislumbrar um possível efeito. No dia em que foi publicada pelo The Independent um inquérito em que a saída aparecia com uma vantagem de dez pontos, o valor da libra caiu a pique.