Polícia britânica investiga se prendeu homem errado por tráfico de migrantes

Amigos dizem que homem preso é Medhanie Tesfamariam Berhe, um refugiado, e não Mered Medhanie, o traficante.

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O homem detido: traficante ou refugiado? AFP/Polizia di Stato

Será que o detido é mesmo Mered Medhanie, "um dos traficantes de pessoas mais procurado no mundo"? Ou afinal foi um refugiado inocente que as autoridades detiveram? É este o dilema que as polícias britânica e italiana têm para resolver nas próximas horas.

A agência britânica de combate ao crime (NCA, na sigla inglesa) anunciou a detenção de Mered Medhanie, um eritreu de 35 anos com o cognome “O General”, que é alegadamente responsável por uma rede de tráfico de pessoas de África para a Europa. Em 2013, ficou conhecido por estar ligado ao naufrágio ao largo da ilha de Lampedusa, que matou 359 pessoas que partiram da Líbia, mas oriundos também da Somália, Eritreia e Gana, em direcção a Itália.

Segundo o jornal italiano Corriere della Sera, Medhanie cobrava 5000 euros pelo percurso até à Europa e dizia ter relações facilitadas com as autoridades locais em Tripoli, na Líbia, para além de uma rede de trabalhadores em Itália. Acabou por ser preso a 24 de Maio em Cartum, a capital do Sudão, e extraditado esta quarta-feira para Itália, país onde terá vivido antes de passar pela Líbia e o Sudão. Ou pelo menos era isso que se pensava até um grupo de amigos do homem capturado ter vindo em defesa do detido.

Segundo o The Guardian, poucas horas depois da extradição, três amigos do homem preso asseguraram que ele não era a pessoa certa e que houve uma troca de identidade. De acordo com os amigos, Medhanie Tesfamariam Berhe, também apelidado de Kidane, é um refugiado de 27 anos e foi preso no lugar de Mered Medhanie.

“É o homem errado”, disse Fshaye Tasfai, primo de Berhe, de 42 anos, que vive na Sícilia. Em declarações ao The Guardian também um amigo assegura que Medhanie Tesfamariam Berhe “não é um traficante de pessoas, ele é apenas um simples refugiado”. Quanto à NCA, um porta-voz afirmou que “ainda é cedo para especular sobre estas alegações”.

“Estamos no processo de realizar as verificações necessárias”, disse o procurador da comuna de Palermo, Francesco Lo Voi, em declarações à imprensa, depois das primeiras dúvidas terem sido levantadas pela BBC. Assegurou ainda que os dados que conduziram à identificação do suspeito foram fornecidos pelas autoridades sudanesas e pela NCA.

Desde o início de 2014, mais de 350.000 pessoas chegaram por mar até Itália, a maioria da Líbia através de mediadores como Mered Medhanie. Segundo os dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM), desde Janeiro deste ano cerca de 2300 pessoas morreram a tentar chegar a Itália pelo mar Mediterrâneo.

Texto editado por Hugo Daniel Sousa