Viagens, contactos e medalhas: o Oliveira da Figueira, de Tintim

Portas foi ministro dos Negócios Estrangeiros, vice-primeiro-ministro com a promoção das exportações. Foi o protagonista da diplomacia económica.

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Daniel Rocha

Foi Paulo Portas que, enquanto vice-primeiro-ministro, se comparou a Oliveira da Figueira, a personagem de Tintim, conhecida por conseguir vender tudo. As tiradas humorísticas são conhecidas do número dois do anterior Governo que fez muitas viagens, quando era ainda o revogável ministro dos Negócios Estrangeiros. Contactos da Ásia à América Latina.

As notícias das viagens estão espalhadas pelos jornais, como estão agora as de que Portas vai precisamente promover a criação de um Conselho Estratégico para a América Latina e apoio à internacionalização para encontrar oportunidades e estratégias em mercados de regiões onde a Mota-Engil ainda não tenha presença.

Em Outubro de 2014 o grupo Mota-Engil assinou um contrato para a construção de um projecto turístico e imobiliário no México. O acordo foi feito durante a missão portuguesa àquele país liderada pelo então vice-primeiro-ministro. Em 2013, já lá tinha estado na inauguração de uma obra da empresa.

Em Setembro de 2014, na publicação Sinergia da Mota-Engil também se conta como os negócios vão de vento em popa. O texto relata que Oportunidades de Negócio México-Portugal foi o tema de um seminário em Lisboa, no fim do qual se celebrou um protocolo de investimento do grupo com empresas mexicanas para um projecto de turismo, promovido pelo Fundo Nacional de Fomento ao Turismo daquele país. O presidente da Mota-Engil e os Presidentes de ambos os países estiveram presentes. E, claro, Portas: “Queremos mais para Portugal no México, mas também mais México em Portugal”.

Em 2013, em Luanda, Portas visitou as instalações da Mota-Engil. Em Novembro seguinte, o Económico destacava que a Mota-Engil fora dada como exemplo de sucesso no que toca à internacionalização – na abertura do Portugal Exportador, Portas insistiu nas exportações e enalteceu o “imenso orgulho” que tinha nas empresas portuguesas.

Protagonista da diplomacia económica, foi ministro dos Negócios Estrangeiros e, depois, vice-primeiro-ministro com a tutela das exportações. Numa viagem aos Estados Unidos em Abril de 2015, ecoou pela imprensa o mote da viagem: “Vender, vender, vender.”

O espírito da personagem de Hergé, Oliveira da Figueira – comerciante português que consegue vender o mais inútil dos objectos – e os contactos feitos em viagens não serão alheios à escolha de Portas para o novo lugar. Exibe pergaminhos: no México, em 2014, foi condecorado com a Aguila Azteca Grand Cruz. Em 2015, na Colômbia, recebeu a Ordem de Boyacá, que distingue, de forma menos frequente, “líderes de países amigos, como reconhecimento por méritos especiais”. O que vai agora, no novo cargo, conseguir Oliveira da Figueira vender em qualquer floresta tropical?