Paulo Portas vai trabalhar com a Mota-Engil

Antigo governante vai ajudar o grupo a crescer na região da América Latina.

Paulo Portas, vice-primeiro-ministro, fica com a coordenação das políticas económicas do Governo
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Paulo Portas deverá pedir a renúncia ao mandato de deputado já esta terça-feira Nuno Ferreira Santos

Paulo Portas vai dinamizar um Conselho Consultivo Internacional para a América Latina, confirmou o PÚBLICO junto de fonte do grupo Mota-Engil. A notícia foi avançada pelo Expresso ao final da tarde desta segunda-feira. "Trata-se de uma região que [o ex-vice-primeiro ministro] conhece particularmente bem, e onde o grupo está a crescer muito”, explicou a mesma fonte. O PÚBLICO apurou ainda que Portas não será quadro do grupo, e funcionará como consultor da empresa.

A região da América latina é considerada estratégica pelo grupo, representando 31% das vendas e prestação de serviços no primeiro trimestre de 2016, rivalizando com o tradicional mercado africano, que responde por 33% da actividade.

Em Outubro 2014, a Mota-Engil ganhou a construção de um grande projecto turístico no México, avaliado em 1500 milhões de dólares. O negócio foi anunciado pelo presidente da Mota-Engil, António Mota, no âmbito de uma visita ao México liderada por Paulo Portas, que ocupava então o cargo de vice-primeiro-ministro.

Paulo Portas deverá pedir a renúncia ao mandato de deputado já esta terça-feira para permitir que na quarta-feira possa ser substituído por Filipe Anacoreta Correia, o centrista que, por ironia, foi seu crítico interno nos últimos anos.

O ex-líder do CDS é vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (cargo que não é remunerado) e terá, após o Verão, um programa de comentário na TVI.

Na nova fase profissional, Portas procurou que as novas funções não entrassem em conflito com os cargos de ministro que exerceu nos últimos anos. À luz da lei das incompatibilidades, os titulares de cargos políticos não podem integrar, nos três anos seguintes à cessação de funções, "cargos em empresas privadas que prossigam actividades no sector por eles directamente tutelado, desde que, no período do respectivo mandato, tenham sido objecto de operações de privatização ou tenham beneficiado de incentivos financeiros ou de sistemas de incentivos e benefícios fiscais de natureza contratual".

Entre as novas tarefas de Portas estão ainda actividades relacionadas com universidades, em que será orador em conferências, e também com o partido. O antigo líder foi desafiado pela actual presidente a pensar como é que o CDS pode tornar a escola de quadros, uma iniciativa que é agora anual, num instrumento permanente de formação de jovens.

A Mota-Engil foi também a empresa de que o ex-ministro socialista Jorge Coelho veio a ser presidente executivo em 2008 (e até 2013), após renúncia do cargo de Conselheiro de Estado. Houve ainda outros casos recentes de antigos quadros públicos que acabaram por engrossar a carteira de colaboradores do grupo nortenho. Um deles é o caso de Francisco Teixeira da Costa, ex-embaixador de Portugal em Paris e também representante de Portugal junto da Unesco. Foi nessa qualidade que assumiu um papel importante na continuidade das obras de construção da barragem Foz Tua, que está a ser construída pela Mota-Engil para a EDP. Seixas da Costa integra os quadros da Mota-Engil Africa desde Junho de 2014.

Outro caso, ainda, é o de João Pedro Rodrigues, ex-presidente da Empresa Geral de Fomento (EGF), empresa pública que foi parar às do Grupo Mota-Engil após o anterior Governo PSD/CDS ter decidido privatizar a empresa. Actualmente, o ex-gestor público é dirigente da Valorsul, uma das empresas do universo da Mota-Engil/Suma.

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