O Congresso visto da bancada

Algumas histórias curiosas do conclave socialista

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XXI Congresso do PS Nuno Ferreira Santos

Ana Catarina: a assessora ou a adjunta?

António Costa ainda não estava a falar há um minuto, no palco da FIL, no encerramento do congresso do PS, e já cometia uma gaffe. Ao querer agradecer a Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do PS, pelo seu empenho na organização do conclave, o líder dos socialistas chamou-lhe “Ana Catarina Santos”. Ainda continuou a discursar por uns segundos, mas apercebeu-se logo a seguir. “Ana Catarina Mendes”, corrigiu. Mas afinal, quem é pessoa nomeada por António Costa? Nada mais nada menos que a sua assessora de imprensa… no Governo. Ana Catarina Santos, ex-jornalista da TSF e ex-assessora de António Sampaio da Nóvoa, está hoje a trabalhar com o primeiro-ministro, em São Bento. Ana Catarina Mendes é deputada há vários anos e está como secretária-geral adjunta do PS. Uma trabalha para o partido, outra para o Governo. Uma é política, outra nunca o foi. Uma é loira, outra é morena.

O ministro tímido e talvez discreto… de mais

Quem o disse foi o primeiro-ministro. Ao referir-se a Manuel Caldeira Cabral, que tutela a Economia, disse que é o ministro “é tímido e talvez discreto de mais”. Será que António Costa leu o balanço que o PÚBLICO fez dos seis primeiros meses de mandato do seu Governo? É que nas páginas dedicadas a esse assunto, o ministro da Economia apareceu na categoria dos governantes “discretos”, ao lado de José Pedro Matos Fernandes. Discretos foram também os ministros socialistas no congresso do PS. Apesar de lá terem estado, Vieira da Silva, Caldeira Cabral, Constança Urbano de Sousa e Eduardo Cabrita não subiram ao palco.

O nome que não foi pronunciado, mas que o ouviu

António Costa não chegou a dizer com todas as letras que apoiava Rui Moreira nas eleições autárquicas de 2017. Também não se referiu ao Porto. Disse, isso sim, que “seria um disparate” candidatar alguém pelo “emblema da mãozinha” só por ser do partido e defendeu a intenção de apoiar uma candidatura independente quando se concorda que a gestão de uma cidade está a correr bem. Não houve ninguém no congresso socialista que não tivesse pensado no “independente” Rui Moreira. E quando a mensagem chegou ao Norte, já chegou mais cristalina. Ou pelo menos foi assim que o entendeu o presidente da Câmara do Porto, que se apressou a dizer que “saber que o PS” o apoia o deixa “muito contente, muito satisfeito”.

“Um ano não, pelo menos dois”

Um dos momentos de mais emoção no Congresso foi o momento em que o fundador do PS António Arnault discursou no palco da FIL já na qualidade de presidente honorário do PS. O pai do Serviço Nacional de Saúde não deixou de salientar a “honra” que sentiu ao ser convidado pelo secretário-geral, António Costa. E tratou de contar mesmo um pormenor da conversa que teve com Costa. “Disse-lhe que ele me deu um ano de vida”, relatou o histórico, acrescentando então a resposta do secretário-geral: “Um ano não, pelo menos dois…”. Dois anos é a duração dos mandatos nos órgãos do PS.