Ana Drago defende coligações à esquerda nas autárquicas

Ex-deputada do Bloco não revela as situações em que deve de haver entendimentos, mas diz que “há um debate a fazer” sobre as autárquicas.

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Ana Drago e os acordos à esquerda: “Há debates que não podem ser ignorados e posições que têm de ser tornadas absolutamente claras" Nuno Ferreira Santos
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Ana Drago e os acordos à esquerda: “Há debates que não podem ser ignorados e posições que têm de ser tornadas absolutamente claras" Nuno Ferreira Santos

A ex-dirigente do Bloco de Esquerda, Ana Drago, defende que as esquerdas, que se juntaram para encontrar uma solução de Governo, se devem entender também relativamente às eleições autárquicas do próximo ano, consensualizando posições que se traduzam em alianças eleitorais.

“Há debates que não podem ser ignorados e posições que têm de ser tornadas absolutamente claras. Eu gostaria de ver um entendimento à esquerda sobre essas questões”, declarou a ex-deputada bloquista, que este sábado participou num debate sobre Socialismo democrático: Que futuro? no âmbito da reunião magna do PS, que decorre em Lisboa.

“Nós sabemos o peso que significou, por exemplo, o endividamento para a compra de habitação própria. Era, portanto, bom que os partidos à esquerda conseguissem discutir políticas de cidade que respondessem à vida das pessoas, à condição urbana dos nossos tempos”, acrescentou, esperando que esses debates sejam feitos. “Espero que essas capacidades de criar alianças sejam encontradas”, defendeu. “ Hoje, as questões urbanas são determinantes na sociedade portuguesa, ou seja, nós temos uma larga maioria da população que vive em espaço urbano e ter uma política para as cidades que consiga sustentar a vida das pessoas, nomeadamente quando sabemos que o crédito à habitação foi um processo de endividamento das famílias em Portugal, é um debate que tem de se fazer”, sustentou ainda.

Sem apontar os casos em que deve haver coligações, Ana Drago acredita que “as diferentes forças à esquerda consigam perceber que há debates dos quais não podem fugir e que há processos conjuntos que têm que partilhar e lutas que têm que fazer conjuntamente”. “Compreendo que há dinâmicas locais que possam impossibilitar esses acordos a nível autárquico, mas tenho uma expectativa que o debate que nasceu sobre a difícil situação do país possa também criar uma nova cultura política”, disse.

Já no plano da acção governativa, a socióloga, que já foi um dos rostos principais do Bloco, faz uma avaliação positiva do Governo, referindo que “uma das maiores crises sociais que a democracia alguma vez viveu foi o período partir de 2011 “ e que isso - sublinhou - mobilizou “cidadãos e partidos na defesa de um projecto de país, uma democracia social”.

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