Trump apoia "Brexit" e vai ao Reino Unido um dia depois do referendo

Candidato do Partido Republicano vai inaugurar um hotel e um campo de golfe na Escócia e deverá encontrar-se com o primeiro-ministro, David Cameron.

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Trump defende a saída do Reino Unido da UE Spencer Platt/AFP

O provável candidato oficial do Partido Republicano à presidência dos EUA, Donald Trump, vai visitar o Reino Unido no dia 24 de Junho, um dia depois do referendo sobre a permanência do país na União Europeia (UE).

Trump vai estar presente na reabertura do icónico resort de Turnberry, na Escócia, um complexo com um hotel de cinco estrelas e três campos de golfe que o magnata comprou em 2014 por 46 milhões de euros.

Após o negócio, celebrado em Abril de 2014, a propriedade passou a chamar-se Trump Turnberry. Para além da oportunidade de juntar um dos mais importantes campos de golfe do mundo à sua colecção, o magnata tem uma conhecida ligação à Escócia – a sua mãe, Mary Anne MacLeod, era uma escocesa que emigrou para os EUA na década de 1930.

O hotel reabriu esta quarta-feira, depois de um investimento de 260 milhões de euros – tem uma suite presidencial que custa 4500 euros por noite e, a partir de Agosto, vai ser possível passear pelo imponente Salão Donald J. Trump. Mas a inauguração oficial de todo o complexo está marcada para 24 de Junho.

Nesse dia o mundo ficará a saber se os eleitores britânicos votaram "sim" ou "não" no referendo sobre a saída da UE, um tema sobre o qual o polémico candidato à presidência dos EUA já se pronunciou várias vezes. "Ah, sim, acho que eles deviam sair", disse Trump numa entrevista à Hollywood Reporter, publicada esta quarta-feira. O candidato do Partido Republicano já tinha dito o mesmo em Maio, em entrevistas à norte-americana Fox News e à britânica ITV.

Para além de ocorrer apenas um dia depois do referendo sobre o "Brexit", a visita de Donald Trump ao Reino Unido surge seis meses depois de milhares de britânicos terem tentado impedir a sua entrada no território através de uma petição. O assunto chegou a ser discutido no Parlamento, mas o pedido não foi acolhido – por essa altura, em Dezembro do ano passado, a primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, retirou-lhe a insígnia de embaixador honorário da Escócia no mundo dos negócios.

Como provável candidato do Partido Republicano à Casa Branca, Donald Trump deverá ser recebido pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron, com quem já trocou palavras amargas em várias ocasiões por causa da proposta de proibir temporariamente a entrada de qualquer muçulmano nos EUA – Cameron disse que essa proposta é “estúpida e fracturante” e Trump disse que se for eleito Presidente a sua relação com o chefe do governo britânico poderá ser pior do que é habitual entre os dois países.

Na semana passada, durante a cimeira do G7, Cameron deu os parabéns a Trump por ter praticamente garantido a nomeação pelo Partido Republicano, e disse que teria todo o gosto em receber o candidato se ele visitasse o Reino Unido nessa qualidade.