Quercus revela que transportes queimam quase metade do óleo de palma usado na Europa

O estudo da Federação Europeia dos Transportes e Ambiente, que a Quercus integra, baseia-se em dados da Federação Europeia das Indústrias de Óleos Vegetais

Preparação dos terrenos para plantar palmeiras em São Tomé e Príncipe
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Preparação dos terrenos para plantar palmeiras em São Tomé e Príncipe Daniel Rocha/Arquivo

Quase metade do óleo de palma consumido na Europa em 2014 foi usado em transportes, diz a associação ambientalista Quercus, segundo a qual o impacto climático do biodiesel é três vezes superior ao do gasóleo.

O estudo da Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (Transport & Environment - T&E), que a Quercus integra, baseia-se em dados da FEDIOL - Federação Europeia das Indústrias de Óleos Vegetais e indica que os carros e camiões usaram 45% do óleo de palma consumido em território europeu, o suficiente para encher quatro piscinas olímpicas por dia (dez milhões de litros).

A Quercus assinala que, na Europa, o recurso ao óleo de palma para a produção de biodiesel aumentou seis vezes entre 2010 e 2014 e lembra um estudo da Comissão Europeia que aponta para um impacto climático do biodiesel produzido a partir de óleo de palma três vezes superior ao do gasóleo fóssil.

"O cultivo da palma está associado a graves impactos ambientais, como a desflorestação e a drenagem de turfeiras no Sudeste Asiático, na América Latina e também no continente africano", explica a Quercus.

A Europa, que não produz palma, é o segundo maior importador mundial de óleo de palma, sendo o biodiesel produzido a partir de óleo vegetal virgem o mais utilizado, com três quartos do mercado europeu.

Além dos problemas associados à desflorestação, a Quercus sublinha que os biocombustíveis implicam também um aumento das emissões no sector dos transportes, não contribuem para uma maior segurança energética nem ajudam os agricultores europeus.

A Quercus defende, por isso, que "é necessário descontinuar a utilização de biocombustíveis de primeira geração até 2020" e acabar com a ideia de que os biocombustíveis contam como "zero emissões" no cumprimento das metas climáticas.

"Só cortando os incentivos à produção e consumo destes biocombustíveis de primeira geração é que será possível dar uma oportunidade aos biocombustíveis de segunda e terceira geração, de menor impacto climático", acrescentam os ambientalistas.

A Directiva de Energias Renováveis (RED, da sigla em inglês) está neste momento a ser revista e deverá ditar o futuro do actual limite de 7% para os biocombustíveis de primeira geração, a partir de 2020, bem como sobre os critérios de sustentabilidade a aplicar a toda a bioenergia, incluindo os biocombustíveis.