Peseiro assinou por ano e meio mas durou pouco mais de quatro meses

Técnico português sofreu nove derrotas em 22 partidas no comando técnico do FC Porto, incluindo o desaire na final da Taça de Portugal, no desempate por grandes penalidades, diante do Sporting de Braga

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Miguel Riopa/AFP

O FC Porto vai começar a próxima temporada com uma cara nova no comando técnico, após ter tornado oficial a rescisão do contrato de José Peseiro. A decisão foi formalizada num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e colocou um ponto final em quatro meses e meio de trabalho do técnico português no Dragão. O nome do sucessor ainda não é conhecido, mas Nuno Espírito Santo é apontado como a hipótese mais forte. Peseiro tinha chegado em Janeiro, para substituir Julen Lopetegui, mas não conseguiu inverter a trajectória negativa da equipa. Pela segunda temporada consecutiva, os “dragões” não saborearam qualquer troféu tendo terminado o campeonato no terceiro lugar, a 15 pontos do campeão Benfica.

“A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, nos termos do artigo 248.º n.º 1 do Código dos Valores Mobiliários, vem informar o mercado que chegou a acordo com o treinador da equipa principal de futebol, José Peseiro, para a cessação do seu vínculo contratual no final da presente época desportiva”, podia ler-se no comunicado que, ao final da tarde, a SAD do FC Porto enviou ao regulador do mercado. Foi a confirmação de um divórcio que se esperava desde que, há pouco mais de uma semana, os “dragões” deixaram fugir a derradeira oportunidade de vencer uma competição, ao perderem a final da Taça de Portugal, diante do Sp. Braga, no desempate por grandes penalidades.

Os dirigentes do FC Porto decidiram começar do zero em 2016-17 após terem dado a Peseiro, em Janeiro, um contrato de ano e meio. Na apresentação, o presidente Pinto da Costa sublinhou que a escolha do sucessor de Lopetegui tinha merecido unanimidade. Mas a realidade ditou uma mudança no discurso. “Batemos no fundo”, lamentava o dirigente, em Abril, após derrotas consecutivas no campeonato diante de Tondela e Paços de Ferreira. Na mesma entrevista ao canal de televisão do FC Porto, Pinto da Costa afirmaria que o futuro passava por Peseiro: “É quem está a trabalhar comigo no novo projecto. Tem contrato de um ano e meio.”

“Quero ganhar a Taça e quero ser campeão várias vezes neste clube”, garantia Peseiro, no início de Maio. Mas a posição do técnico complicou-se após a derrota no Jamor. “Foi uma época perdida. Não conseguimos nenhum objectivo”, admitia o técnico após o desaire diante do Sp. Braga, que representou o culminar de quatro meses e meio de altos e baixos. O feito de maior destaque de Peseiro pelos “dragões” terá sido o triunfo da 22.ª jornada diante do Benfica, na Luz (1-2). Mas, em 22 encontros com o técnico português ao leme, o FC Porto somou nove derrotas (cinco em 16 jogos no campeonato, duas na Liga Europa, uma na Taça da Liga e outra na Taça de Portugal). Um número demasiado elevado para os dirigentes do FC Porto, que vão agora seguir um novo rumo.