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Assim são os primeiros dias de liberdade após a prisão

J.B. tem 70 anos e cumpriu pena entre 2011 e 2015 pelos crimes de falsificação de documentos
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J.B. tem 70 anos e cumpriu pena entre 2011 e 2015 pelos crimes de falsificação de documentos

Aos 70 anos, J.B. soube pela quarta e última vez o que é ser posto em liberdade. Crimes relacionados com falsificação de documentos e fraude valeram-lhe dez anos de vida atrás das grades na última das penas. Em Maio de 2015, porém, a sensação de liberdade foi diferente. "Eu vi medo nos olhos dele", descreveu o fotógrafo Ricardo Wiesinger ao P3, em entrevista. "Pela primeira vez, ninguém o esperava junto aos portões da prisão de Hannover. Neste primeiro momento de liberdade, parecia mais sozinho e isolado do que atrás dos muros da prisão." O ex-recluso não manteve qualquer contacto com família e amigos durante o cumprimento da pena e, por isso, o regresso à vida em liberdade teria forçosamente um sabor diferente. Roupas, um telemóvel e um apartamento vazio disponibilizado pela segurança social alemã é tudo o que resta a J.B.. Apesar disso, "o seu optimismo permanece inabalável", assegura Wiesinger. Sem pensão atribuída, vê-se forçado a procurar emprego. "É difícil encontrar um trabalho bem pago nesta idade, especialmente com o seu currículo. Mas J.B. segue em frente, com a teimosia habitual." O jovem fotógrafo alemão descreve-o como um homem "meditativo" e "bastante inteligente" e acredita que o cárcere não é uma resposta eficaz ao problema da criminalidade. "A maioria das pessoas que sai da cadeia irá regressar. Este é um facto comprovado estatisticamente. Acredito que as pessoas precisam de ajuda, sobretudo antes de serem encarceradas." Esta série de fotografias, intitulada "Was Bleibt?" ["O que resta?", tradução livre] estará em exposição na quinta edição da Lumix Fotofestival, dedicada ao fotojornalismo jovem, de 15 a 19 de Junho, em Hannover. Nela constarão também trabalhos de autores previamente publicados no P3, como Nancy Borowick, Hossein Fatemi, Elena Chernyshova, Pablo Piovano, Christian Werner e Sébastien Van MalleghemAna Marques Maia

Estabelecimento prisional de Hannover
No primeiro encontro vestia o uniforme azul da prisão
J.B. viu o interior de 63 celas diferentes durante o cumprimento da pena
A sua cela era muito despida. O único objecto pessoal era um casaco de couro
J.B. barbeia-se, pela última vez, na casa-de-banho exígua da penitenciária
J.B. despede-se de um amigo recluso antes de abandonar a prisão
São-lhe devolvidos os pertences. Entre as suas coisas está um velho telemóvel
Ninguém o espera à saída da prisão e J.B. usa o telemóvel para chamar um táxi
Um apartamento vazio aguarda J.B. . É aqui que irá iniciar uma nova vida
J.B. não se deixa desmotivar e encara o quotidiano com a teimosia habitual
J.B. só consegue comprar uma peça de mobília de cada vez, não tinha quaisquer poupanças
Para se distrair, J.B. faz longas caminhadas e visita lugares familiares
Na prisão, J.B. sentia sobretudo falta de banhos de imersão. Agora toma-os três vezes por semana