Deputado do PS diz que mensagem de Marcelo não foi "estabilizadora"

Porfírio Silva, membro do secretariado nacional, avisa que o PS "está cá para as eleições".

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Porfírio Silva Miguel Manso

Porfírio Silva, deputado e membro do secretariado nacional do PS, disse na noite deste sábado que as afirmações do Presidente da República a garantir a estabilidade governativa apenas até às eleições autárquicas não terão sido uma gaffe e que "alguns" querem o insucesso do Governo.

"Talvez não tenha sido uma gaffe. Talvez alguns estejam à espera de nos apanhar na curva das autárquicas", disse Porfírio Silva, em Coimbra, na sessão de encerramento do congresso da federação distrital do PS, onde interveio em representação do líder do partido, e primeiro-ministro, António Costa.

No final da sessão, em declarações à agência Lusa, Porfírio Silva disse que a menção às eleições autárquicas por parte do PR não foi "propriamente uma mensagem muito estabilizadora" mas avisou que o PS "está cá para as eleições".

"Coisa que nós nunca tememos foram eleições. Nas eleições votam os portugueses e não há que temer nada", argumentou.

Questionado sobre se o PS teme que Marcelo Rebelo de Sousa possa vir a criar obstáculos à acção do Governo liderado por António Costa e não contribuir para a estabilidade, o deputado socialista disse "esperar que um Presidente da República seja Presidente de todos os portugueses e que faça o seu papel dentro desse enquadramento".

"De momento não temos nenhuma razão para deixar de esperar que este Presidente da República faça assim", alegou.

Sobre a declaração de Marcelo Rebelo de Sousa - que na passada terça-feira disse que não dará um passo para provocar instabilidade no ciclo político que vai até às autárquicas e, na quinta-feira, afirmou desejar que as eleições do Outono de 2017 não interrompam a governação socialista - Porfírio Silva admitiu que o PR não tentou corrigir a afirmação.

"De facto, se agora me lembro bem, já não é a primeira vez que, não é tentar corrigir, mas é fazer um enquadramento, voltar a falar no assunto a ver se é mais bem compreendido, enfim, é normal", declarou.

Já o histórico militante socialista Manuel Alegre, presidente da comissão de honra do congresso federativo, minimizou as afirmações de Marcelo Rebelo de Sousa sobre o mesmo tema, dizendo acreditar que o PR pretende a estabilidade do executivo liderado por António Costa.

"O homem [Marcelo Rebelo de Sousa] também tem de dizer qualquer coisa, senão qualquer dia parece que foi eleito pela esquerda", ironizou Manuel Alegre.

No entanto, Alegre considerou que as eleições autárquicas de 2017 "têm grande importância" e defendeu que o PS "tem de ter uma grande vitória" para "não dar qualquer pretexto que seja a que se ponha fim a um ciclo" governativo.

"Há muita gente que quer pôr o Presidente da República contra o Governo", avisou.

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