Famalicão quer transformar cada cidadão num guarda-rios

A autarquia famalicense lançou um projecto de requalificação dos rios do concelho. “Os Nossos Rios” é o nome da iniciativa desenvolvida em parceria com a Agência Portuguesa do Ambiente.

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Adriano Miranda

Atravessada pelos rios Pelhe, Este, Pele e Ave, a cidade de Vila Nova de Famalicão quer requalificar as suas zonas fluviais para valorizar a fauna e a flora do concelho. “Os Nossos Rios” nasce para criar corredores naturais e ecológicos nas margens dos cursos de água que visitam o município. Um projecto que não quer deixar ninguém de fora já que pretende envolver a população através de acções de sensibilização e educação para a limpeza, preservação e manutenção dos espaços. Mas não só. O objectivo é mesmo pôr as mãos na massa e, no passado sábado, um grupo de 100 voluntários reuniu-se numa acção de limpeza no açude do Romão, na freguesia de Nine.

Uma acção que nasce da preocupação da Câmara Municipal para preservar e valorizar o ambiente, a começar pela despoluição dos leitos e pela “recuperação efectiva” das margens dos rios que correm no concelho, adiantou o vereador do Pelouro do Ambiente da autarquia ao PÚBLICO. Pedro Sena avançou que o objectivo final do projecto é “recuperar todos os rios existentes em Famalicão”, uma prática que o vereador admite ter sido “esquecida” durante alguns anos.

A par da requalificação e reabilitação dos rios e das margens ribeirinhas, a autarquia vai avançar com um conjunto de acções de sensibilização e educação ambiental, “in loco”, junto dos proprietários dos terrenos que confinam o rio. Sensibilizar a comunidade sobre a “importância que é, neste momento, passar a ser guarda-rios” é “fundamental”, nas palavras de Pedro Sena.

O vereador atribui a cada munícipe o papel de vigilante, porque são eles que "vão controlar e perceber quando há um problema e alertar”. Um projecto, em parceria com a Agência Portuguesa do Ambiente, que pede a colaboração de toda a comunidade, incluindo as instituições locais, e que tem de ser feito “freguesia a freguesia”. Trabalhos que podem ir além da requalificação fluvial e estender-se à plantação de espécies ripícolas, ao levantamento de património natural e à marcação de trilhos pedonais.

Sem falar em valores especificamente direccionados para o projecto, Pedro Sena adianta que foram investidos mais 5,5 milhões de euros em obras de saneamento. O responsável pela pasta do Ambiente considera que este investimento “vai diminuir a poluição que chega aos rios, essencialmente na zona do Rio Este”. Recorde-se que, em Abril, foram identificadas quatro estirpes de bactérias nas águas do rio Ave que demonstravam grande resistência a antibióticos incluindo os de uso hospitalar.  

Pedro Sena salienta que este é um “trabalho contínuo”, com início mas “sem noção do seu fim”, contando que “pelo caminho vão aparecer problemas”. “Não temos noção de todo o trabalho que irá abranger os quatro rios”, reconhece o vereador do Ambiente. A próxima intervenção será no rio Guisande, afluente do rio Este, nas freguesias de Arnoso Santa Maria e Sezures. 

Texto editado por Ana Fernandes