O “Alexandre”, um dos liceus históricos do Porto, não aguenta mais ver-se a desmoronar

PS Porto lançou uma petição para recuperar a Escola Secundária Alexandre Herculano, no Porto. Lá dentro chove, as janelas perderam vidros, partes do chão ruíram, o mofo impera e não é possível usar as novas tecnologias pois nem a rede de internet é certa.

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A escola está a precisar de obras há anos mas o projecto da Parque Escolar acabou suspenso Fernando Veludo/nfactos
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“Não deixamos cair o Alexandre!”. É este o slogan que serve de mote ao movimento lançado pelo PS Porto pela recuperação da Escola Secundária Alexandre Herculano, uma iniciativa que reuniu, na tarde desta segunda-feira, dezenas de pessoas que pretendem “chamar a atenção” para o “elevado estado de degradação da escola”. Esta “iniciativa pública” partiu da concelhia do PS que lançou também uma petição para recolher assinaturas em papel e em meios online que serão entregues ao Ministério da Educação em defesa da escola pública.

Inês Nogueira tem 17 anos e frequenta o 11º ano. É presidente da Associação de Estudantes da Alexandre Herculano e estuda na escola há cinco anos. Diz que as "más condições" têm vindo a piorar. “Os professores tentam usar o projector, mas como as janelas não têm as cortinas não dá para ver e isso consegue afectar, de alguma forma, a fluência da aula", conta a aluna, queixando-se de ali não se poder usar as novas tecnologias, um simples powerpoint. "Tem de ser tudo através do livro ou escrito no quadro”, lamenta. Ensinar tornou-se uma peripécia, dificultada pela chuva nas salas de aula, pelas janelas que não têm vidros, pelo chão que ruiu, pelo cheiro a mofo e pela falta de internet que está sempre a “ir abaixo”. Condições com as quais cerca de 900 alunos convivem todos os dias.

Para o director da escola, as principais dificuldades estão “em cumprir um serviço público de educação dentro daquilo que é a normalidade”. Manuel Lima alerta para o facto de a Alexandre Herculano se situar numa zona “sociologicamente problemática e carenciada da cidade” e salienta que “é muito mau que a escola não consiga espelhar uma possibilidade de sucesso aos seus alunos”. O director afirma que “a escola está a replicar todas as assimetrias sociais”, dado que na sua zona envolvente, há “escolas intervencionadas, muito mais atractivas que podem oferecer um serviço com muito mais qualidade”. Problemas estruturais que têm já impacto no número de alunos que frequentam a escola. Manuel Lima frisa que a situação “se agravou” a partir de 2009, com a escola a passar de cerca de 1700 alunos para 900, o número actual, incluindo também a redução de alunos surdos e com necessidades educativas especiais, para os quais a escola é estabelecimento de "referência”.

Paula Nogueira, vice-presidente da Associação de Pais, afirma que, apesar das tentativas para chamar a atenção das instâncias competentes, "nunca" tiveram resposta. "Vai sendo dito ao director que vai haver obras mas estamos sempre em stand-by. Nós, sozinhos, não conseguimos fazer mesmo mais nada", acrescenta.

O presidente do PS Porto destaca a "necessidade imperiosa de se avançarem com as obras porque cada dia que passa é mais um dia em que a escola se degradar mais um pouco". Tiago Barbosa Ribeiro avisa que o desafio para os próximos tempos passa por mobilizar um número significativo de peticionários e garante que, depois, “dentro dos canais institucionais adequados”, irá agendar uma reunião formal com o Ministério da Educação, “na qualidade de deputado do PS e de presidente do PS Porto e forçar a um compromisso do Governo”.“O que eu quero é que o Ministério perceba a gravidade do que aqui se passa e irei fazer isso usando todos os mecanismos que tenho à disposição”, assegura. Incluindo a apresentação de um projecto de resolução à Assembleia da República para “colocar o tema na agenda” e dar “visibilidade” a esta que é “uma causa do Porto”.

O presidente da concelhia socialista sublinha que existe, por parte da Câmara do Porto, um claro compromisso para tentar ajudar a resolver os problemas desta escola. A sessão pública contou com a presença de Manuel Pizarro, vereador do Pelouro da Habitação e Acção Social da Câmara do Porto, da direcção da escola, de professores, de estudantes e dos pais, bem como da associação de antigos alunos, deputados socialistas, e muitas outras personalidades que se uniram em defesa de uma das mais históricas escolas da cidade do Porto, que já acolheu nomes como Sobrinho Simões, Belmiro de Azevedo ou Manuel Correia Fernandes.

Já no passado mês de Março, os alunos protestaram contra o estado de degradação da escola. Além de chover em várias salas, há laboratórios fechados por falta de condições e locais em que o chão e os muros ruíram. Esta é uma escola com um "futuro adiado" e alvo de sucessivos projectos que não saem do papel, desde que, em 2011, o anterior governo suspendeu o projecto da Parque Escolar para a requalificação das instalações.

Texto editado por Ana Fernandes

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