Morreu Cauby Peixoto, um dos lendários cantores da rádio brasileira

Cantor da rádio, crooner, dono de uma voz de timbre grave e inimitável, Cauby Peixoto morreu na noite de domingo, em São Paulo, aos 85 anos, devido a uma pneumonia. Ainda estava no activo.

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Cauby Peixoto fotografado para o disco onde canta Nat King Cole MARCO MAXIMO/DIVULGAÇÃO

A notícia foi dada pelo clube de fãs do cantor e difundida de imediato pelo Globo: o cantor Cauby Peixoto morreu na madrugada de domingo, pelas 22h30, seis dias após ter sido internado com uma pneumonia, num hospital da zona sul de São Paulo. Cauby andava ainda em digressão pelo Brasil com a cantora Ângela Maria, a comemorar os 60 anos de carreira de ambos. O espectáculo mais recente da dupla terá ocorrido no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no passado dia 3 de Maio.

Nascido em Niterói, Rio de Janeiro, em 10 de Fevereiro de 1931, Cauby descende de músicos: é filho de Cadete, violinista, sobrinho do célebre pianista Nonô (Romualdo Ribeiro) e primo de Ciro Monteiro (1913-1973), cantor, compositor e grande sambista. Começou a sua carreira no início da década de 50, na Rádio Tupi, com um programa de caloiros, gravando o primeiro disco logo em 1951. No ano seguinte mudou-se para São Paulo, cantando em boîtes como crooner e na Rádio Excelsior, onde atraiu as atenções de Di Veras, futuro empresário musical, ao cantar em inglês. A partir daí, sob a orientação de Di Veras, que o sujeitou a um marketing próprio (na maneira de vestir, de se apresentar em palco e no próprio repertório), viu-se lançado nos caminhos do sucesso.

Em matéria de discos, nunca mais parou. Gravou dois em 1953 e assinou contrato com a Columbia. Tornou-se ídolo da rádio brasileira, integrando o elenco da Rádio Nacional. A sua fama, atraindo fãs por todo o Brasil, só foi comparada à do cantor Orlando Silva, vinte anos antes. A sua lista de discos é enorme: quase centena e meia, desde a sua estreia, em 1951, até 2015, quando a Biscoito Fino lançou o CD A Bossa de Cauby Peixoto. Chegou a tentar carreira nos Estados Unidos, onde se apresentou com o nome de Ron Coby, mas não teve um décimo do êxito que ali conseguira um dos seus ídolos, o cantor Dick Farney. Isto apesar de ter gravado com o maestro Percy Faith.

Conceição e Sinatra

Intérprete de inúmeros êxitos, ele que cantava sambas-canção mas também mambos, boleros, tarantelas ou canções norte-americanas, ficam-lhe associadas para sempre canções como Conceição (que ele já cantou ao vivo com Roberto Carlos, em 1981), Tarde Fria, Ninguém é de ninguém, Perdão para dois. Em matéria de gravações participou, por exemplo, num disco de Elis Regina em 1979 (cantando com ela Bolero de Satã) e gravou, em 1995, um disco só com canções de Sinatra, em dueto com nomes da MPB com Gilberto Gil, Gal Costa, Ney Matogrosso, João Bosco, Zizi Possi ou Caetano Veloso. E em 2015 dedicou um disco inteiro às canções de Nat King Cole.

Rodrigo Faour, no Dicionário Cravo Alvin da MPB, termina desta forma a sua nota crítica incluída na ficha de Cauby Peixoto: “Cauby é um exemplo de artista que conseguiu renovar-se e manter a voz e o glamour em torno de sua figura em 50 anos de carreira. Isso sem contar a elegância, os figurinos e penteados excêntricos e o senso crítico. Assumiu todas as suas mancadas e nunca falou mal de nenhum colega. Por tudo isso é querido por todos: pelo público e por toda a MPB. Seu apelido de Professor é perfeito. Porque ele é realmente o mestre de todos os nossos cantores.”