Han Kang vence Man Booker International

A escritora sul-coreana foi distinguida por The Vegetarian, um livro político sobre a revolta doméstica de uma mulher que se torna vegetariana para combater a rotina. O escritor José Eduardo Agualusa estava entre os finalistas.

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A escritora sul-coreana Han Kang Leon NEAL/AFP
O escritor angolano José Eduardo Agualusa
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O escritor angolano José Eduardo Agualusa Estava entre os finalistas Daniel Rocha

The Vegetarian, da escritora sul-coreana Han Kang (n.1970), é o livro vencedor da edição deste ano do Man Booker International Prize, um prémio de 60 mil euros partilhado entre a autora e a tradutora do livro para inglês, a britânica Deborah Smith. O romance será publicado no próximo mês de Outubro em Portugal pela Dom Quixote com o título A Vegetariana. O escritor José Eduardo Agualusa estava entre os finalistas com Teoria Geral do Esquecimento (D. Quixote, 2012).

O júri, presidido por Boyd Tonkin, jornalista do The Independent, e composto pela antropóloga e escritora Tahmina Anam, pela poeta Ruth Padel e pelos académicos David Bellos e Daniel Medin, considerou a história que marca a estreia de Han Kang no mercado de língua inglesa, tão “lírica” quanto “dilacerante”. Uma mulher revolta-se quando essa decisão é o que menos se espera dela. Estamos no quotidiano sem ambições de um casal sul-coreano de classe média sem outras ambições que não o dia-a-dia sem nada assinalar. Yeong-hye, assim se chama a protagonista, decide tornar-se vegetariana e esse acto torna-se sobretudo político, muito mais do que uma simples atitude de consequências aparentemente domésticas. 

Criado em 2005, com uma periodicidade bianual, o Man Booker International Prize pretendia distinguir a carreira de um autor de qualquer nacionalidade desde que publicados em inglês. Nesse ano o vencedor foi o albanês Ismail Kadaré. Seguiram-se o nigeriano Chinua Achebe (2007), a canadiana Alice Munro (2009), Nobel da Literatura em, 2013; o norte-americano Philip Roth ganhou em 2011, em 2013 seria a também norte-americana Lydia Davis e em 2015, o vencedor foi o húngaro László Krasznahorkai, considerado pelo júri Booker como um autor “visionário”, capaz de uma “literatura de extraordinária intensidade”. Recorde-se que entre os nomeados do ano passado estava também o escritor moçambicano Mia Couto.

A partir deste ano, o Man Booker International Prize passa a ser anual, premeia um título em vez de uma obra, pretendendo estimular a publicação no mercado de língua inglesa de originais vindos apenas de línguas estrangeiras, e sendo também por isso um prémio à tradução.  

Os seis finalistas da edição deste ano eram representativos dessa tentativa de globalização do Booker e foram conhecidos no passado dia 14 de Abril. Além de The Vegetarian, estavam a concurso Teoria Geral do Esquecimento (D. Quixote, 2012), publicado em inglês com o título The General Theory of Oblivion, do autor angolano José Eduardo Agualusa, numa tradução do britânico Daniel Hanh; A História da Filha Perdida, de Elena Ferrante; A Strangeness in My Mind, o último romance do Nobel turco Orhan Pamuk; A Whole Life, do austríaco Robert Seethaler (n.1966) e The Four Books, do chinês Yan Lianke.

A editora Maria do Rosário Pedreira, que comprou os direitos do livro vencedor para Portugal, disse ao PÚBLICO quando foi anunciado o prémio, que a sensibilizou a qualidade de um livro “extremamente cru, mas de uma grande delicadeza”, na forma como narra a revolta erótica e doméstica de uma mulher contra o modo como sente ser objecto sexual e utensílio por parte do marido.