Pioneiros negros

Ser o primeiro nunca é fácil

"O nosso sucesso, a nossa riqueza transforma-se naquilo a que chamo uma herança da comunidade negra.” As palavras do primeiro afro-americano multimilionário reflectem, a par de mais cinco testemunhos, a frágil história das relações raciais no país que vive os últimos meses da presidência Obama.

Quando os Estados Unidos elegeram o seu primeiro Presidente negro, em 2008, isso foi sentido como um ponto de viragem – um marco cultural para o país, um momento de graça e alívio na sua recheada e frágil história de relações raciais, a concretização de uma igualdade há muito prometida pelos nossos fundadores. Temos um novo ponto de viragem. O que se segue? Ninguém sabe. Pela sua própria natureza, essas “primeiras vezes” transportam-nos para território desconhecido.

Mas se perguntarmos a outros pioneiros negros acerca das suas experiências, eles concordam num ponto: ser o primeiro nunca é fácil, mas a vida depois pode ser tão ou mais difícil – tanto para quem quebrou a barreira como para o país em geral. Tal como Barack Obama, enfrentaram o desafio e sofreram o escrutínio, e emergiram com vitórias só deles: o primeiro governador negro. O primeiro bilionário negro. O primeiro reitor de uma universidade de elite.

Tornar-se o primeiro exigiu-lhes determinação, capacidade de sacrifício. E doses iguais de paciência e de perspectiva para o resto das suas vidas. Cola-se-lhes um rótulo contra o qual, dizem, lutam para sempre questionando-o, procurando perceber-lhe o significado, lutando para preservar uma identidade fora dele e, se tiverem sorte, aprendendo a aproveitar o poder em prol dos outros.

É uma vida que, na verdade, propicia honras e convites para discursar publicamente. Mas também vem carregada de grandes expectativas e perguntas permanentes por parte dos outros. “O rasto daquilo engoliu-me; por outro lado, tornou-me muito mais forte”, conta Ed Dwight, de 82 anos, o primeiro afro-americano a entrar para o programa de treinos para astronauta.

Em longas conversas com meia dúzia de pioneiros negros, vários descreveram a vida após o seu feito como sendo uma série de níveis que se vão sucedendo. E, chegando ao nível final, o da introspecção, dão por eles a colocar as mesmas perguntas que esta nação enfrenta à medida que o segundo mandato do primeiro Presidente negro se aproxima do fim: a que é que isto se resume? Mudou alguma coisa?

Ruth Simmons, a primeira reitora de uma universidade de elite

Primeiro sente-se um grande suspiro de alívio. Ruth Simmons, de 70 anos, descreveu o feito como um imenso libertar da pressão, como tirar todo o peso que se foi acumulando nos ombros ao longo de anos. “Percebemos que, pela primeira vez desde há muito tempo, estamos livres”, diz Ruth Simmons.

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Durante mais de uma década, Simmons foi a primeira negra a ocupar o cargo de reitor de uma universidade de elite. O seu mandato à frente da Universidade de Brown foi o culminar de uma carreira de décadas no mundo académico. Em cada passo dessa jornada, sentia as expectativas dos outros a aumentar.

Nasceu numa cabana de apanhadores de algodão e cresceu no meio da pobreza, a mais nova de 12 irmãos. Ter sucesso escolar no Texas de então exigia derrubar nações racistas acerca da sua capacidade intelectual. Mas chegar a vice-reitora na Universidade de New Orleans em 1975 – o seu primeiro lugar na administração escolar – atirou-a para terrenos ainda mais traiçoeiros.

“Percebe-se logo que ninguém vai fechar os olhos só porque aconteceu sermos o primeiro afro-americano; na realidade, vamos ser muito mais rigorosamente avaliados”, declara.

Sentiu a vigilância da comunidade minoritária de forma intensa, com muita gente a ver se cumpria aquilo que consideravam ser as suas obrigações. Teve de seguir as pisadas dos seus antecessores e foi também inundada de pedidos de grupos representativos de mulheres, negros e outras minorias. Quando abordava assuntos em que os seus antecessores não tinham tocado, também foi intensamente controlada.   

Pouco tempo após ter assumido a direcção de Brown, formou uma comissão para investigar as antigas ligações da universidade com o comércio de escravos e formas de as reconhecer e emendar. “Se eu não fosse afro-americana, teria sido muito mais fácil criá-la”, recorda. “O facto de ser uma reitora negra a fazê-lo gerou imediatamente críticas.”

Para Simmons, toda a pressão se resumia a um único pensamento que nunca a abandonava: “Não estragar isto para a próxima pessoa que tiver esta oportunidade.”

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Um pensamento que Simmons nunca abandonou: "Não estragar isto para a próxima pessoa que tiver esta oportunidade” dr

Sente-se constantemente a pressão, diz Simmons. Como nos comportamos em público, que roupas devemos usar. Sente-se quando nos relacionamos com pessoas subtilmente racistas – por exemplo, investidores com quem detestamos conversar, mas com quem temos mesmo de conversar para o bem da universidade. Sentimo-nos duplamente vigiados quando chamamos a atenção de alguém porque fez algo de errado.

Simmons estava constantemente a pensar nos seus próprios heróis negros. Relembra como ficava devastada quando eles não se mostravam à altura do que ela esperava deles. “Desejava que eles mostrassem integridade, coragem, que se erguessem para lutar pelos princípios da justiça… e que fizessem isso mesmo que lhes custasse imenso”, avança. “Era esse o meu teste do pH.”

Em 1995, no Smith College, tornou-se a primeira mulher negra a dirigir uma grande faculdade privada. Depois, entre 2001 e 2012, presidiu aos destinos da Universidade de Brown, onde foi muito apreciada pelos alunos e pelo corpo docente.

No final, ficou surpreendida ao descobrir que a elevada fasquia e a imensa pressão que tinha sentido ao longo de todos aqueles anos tinham a determinada altura passado para um nível muito mais baixo.

Quando se reformou, explica, de um momento para o outro, viu-se a ser louvada como uma heroína simplesmente por não ter falhado de forma estrondosa. “Em consequência desse rótulo, ou ficamos para a posteridade como um imenso fracasso ou, se fizermos um trabalho razoável, sente-se um grande suspiro de alívio e ficamos ainda mais famosos após abandonarmos o cargo.”

Robert L. Johnson, o primeiro multimilionário

O outro lado da moeda desse grande suspiro de alívio é a noção de que as expectativas não terminam com os seus feitos; a noção de que, por parte dos outros, existe muitas vezes um sentimento de que o sucesso que alcançaram afinal não lhes pertence.

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“A nossa fama, a nossa riqueza, o nosso sucesso transformam-se naquilo a que chamo uma herança da comunidade negra”, diz Robert L. Johnson, de 69 anos, que em 1980 fundou a Black Entertainment Television (BET), a maior cadeia de televisão por cabo dirigida aos afro-americanos.

“Podes ser o recipiente que o contém, mas ele é nosso. Por isso, tens a obrigação de agir no melhor interesse a longo prazo da comunidade afro-americana, mesmo que isso afecte o teu.” Johnson diz que esta é a mensagem da comunidade negra em relação ao sucesso destes pioneiros.

Para alguns, esse sentimento de propriedade também se aplica à sua fama ou ao seu poder. Para Johnson, cuja cadeia BET se tornou a primeira empresa controlada por negros a ser cotada na Bolsa de Nova Iorque, foi à sua riqueza.

Em 2001, Johnson tornou-se o primeiro multimilionário negro do país, após ter vendido a BET à Viacom por 3 mil milhões de dólares.

De um dia para o outro, começaram a chover pedidos. “Foi assim: ‘Precisas de dinheiro? Fala com o Bob Johnson. Precisas de um donativo ou fundos para um programa? Fala com o Bob Johnson’”, conta agora.

Uma organização, desesperada para auxiliar negros na Libéria – então devastada pela guerra civil e por uma administração ditatorial –, simplesmente propôs a Johnson que ele comprasse o país inteiro e resolvesse os seus problemas em troca dos direitos de exploração dos recursos minerais.

Um amigo pediu-lhe 75 mil dólares no dia seguinte à BET ter sido cotada em Bolsa. Pedir-lhe 75 mil dólares, como lhe disse este amigo, era como se alguém lhe estivesse a pedir um cêntimo. 

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"Precisas de dinheiro? Fala com o Bob Johnson. Precisas de um donativo ou fundos para um programa? Fala com o Bob Johnson", recorda agora o multimilionário scott olsen/getty images

As expectativas também se aplicavam aos seus negócios. Os seus detractores – e durante muito tempo os mais implacáveis provinham da própria comunidade negra – criticavam-no por encher a programação da BET com videoclips de mulheres seminuas e rappers esbanjadores. Afirmavam que o canal perpetuava estereótipos negativos e devia ser mais dedicado a um discurso intelectual e à causa afro-americana.

Johnson olha para isto como parte da “maldição de ser o primeiro”. “Se houvesse cinco BET, podia-se dizer: ‘Não gosto desta. Vou ver outra’”, explica.

O multimilionário prevê que Obama irá lidar com fardos e expectativas semelhantes. “Há quem diga: ‘O homem fez o que pôde… Ficou com cabelos brancos. Deixem-no em paz, dêem-lhe oportunidade de estar com a sua família.’ Mas outros vão dizer: ‘Desculpem lá, mas fomos nós que o colocámos na presidência. Demos-lhe o poder. Demos-lhe visibilidade. Sabemos que ele já não é Presidente, mas pode pegar no telefone e falar com este e com aquele… Pode visitar uma empresa e pedir-lhes para investirem na comunidade negra.”

Imagine-se, explica Johnson, outra grande controvérsia racial – outro tiroteio como os de Ferguson ou Charleston ou outro Trayvon Martin. Se Obama não disser a sua opinião sobre isso, se não estender a sua liderança, será inevitável que comecem as perguntas. “As pessoas vão-se perguntar: ‘Por que é que ele não diz nada? Será que alguma vez realmente se importou?’ E não há como fugir a isto”, remata.

Ruby Bridges, a primeira criança negra a frequentar uma escola só para brancos

Mas nem todos os pioneiros encaram esta expectativa para o resto da vida como sendo um fardo. “Não podemos simplesmente dizer: ‘Bem, não quero mais fazer isto. Chega. Acabou’”, conta Ruby Bridges Hall. Durante uma fase da sua vida, recorda Hall, de 62 anos, ela tentou fazer exactamente isso, desaparecendo numa vida de anonimato.

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Em 1960, quando tinha seis anos, tornou-se a primeira criança negra a frequentar uma escola só para brancos no estado do Luisiana.

Imediatamente alguns pais brancos retiraram os seus filhos da escola. Todos os professores da escola, excepto um, se recusaram a dar-lhe aulas. Passou todo o primeiro ano numa sala vazia, separada dos miúdos brancos no refeitório e no recreio. Agentes policiais tinham de a escoltar para a sala de aula – uma situação que Norman Rockwell representou num quadro intitulado The Problem We All Live With (O Problema com Que Todos Vivemos).

Durante anos, conta, não percebeu todas as implicações dessa experiência e chegou mesmo a evitá-las. Casou, criou quatro filhos e trabalhou como agente de viagens na American Express sem dar nas vistas.

Por coincidência, muitos anos mais tarde, deu por si de regresso, como voluntária, à Escola Primária William Frantz, a mesma onde tinha sido integrada em criança. Depois de o irmão ter sido morto a tiro, Hall passou a cuidar das filhas dele, órfãs e que também frequentavam aquela escola. Ao longo desse período negro da vida da sua família, explica, finalmente conseguiu reconciliar-se com o seu passado.

“Olhamos para trás, fazemos um balanço e perguntamo-nos: ‘O que é que estou a fazer? Estou a fazer algo com significado, algo que pode tornar este mundo melhor?’”, relembra agora Hall. “Mal me comecei a questionar, isso levou-me imediatamente de volta àquela experiência em 1960.”

Hall diz ter percebido que “temos o nosso trabalho, mas depois temos o nosso chamamento. E o nosso chamamento não é algo a que possamos escapar”.

Escreveu um livro acerca das suas experiências quando era criança. Reencontrou-se com o seu antigo professor da escola primária no show de Oprah Winfrey. Criou uma fundação e começou a visitar outras escolas, falando com os alunos acerca de racismo. “Penso que provavelmente o Presidente Obama se vai encontrar na mesma situação. A sua obra nunca estará terminada”, conclui. “O que aceitámos não nos permite desistir.”

Lawrence Douglas Wilder, o primeiro governador

À medida que se envelhece, uma pessoa tende a preocupar-se com o que deixa para os outros. Já o ouvimos vezes sem conta da boca destes chamados precursores ou pioneiros. É uma equação na qual entra, obviamente, o factor vaidade: na verdade, queremos saber, e preocupamo-nos, sobre o modo como vamos ser recordados. É um processo durante o qual buscamos incessantemente as mudanças, as provas de como, num determinado momento, fomos actores de uma mudança de agulha, de atitude, de comportamento. Para estes pioneiros, não deixa de ser um exercício que leva à frustração. Douglas Wilder, 85 anos, diz ter andado duas décadas sem perceber claramente se o que fez serviu para mudar o país, no sentido mais historicista do termo. Esteve no processo que levou Obama à presidência e tornou-se, em 1989, o primeiro governador afro-americano. A sua vitória ficou decidida por uma pequena margem – pouco mais de metade de 1%. Mas a sua tomada de posse esteve nas primeiras páginas de todos os jornais do país como marco de um novo paradigma na política americana. Para Wilder, contudo, o que aconteceu foi uma incerteza com a qual se debateu durante anos.

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“Ser número 1 não significa rigorosamente nada até haver um número 2”, esclarece agora. Diz mesmo que na altura até se sentiu profundamente desapontado por não haver mais candidatos negros – talvez a sua eleição não passasse de uma anomalia. Só 17 anos depois, um outro negro chegaria a governador: Deval Patrick, em 2006. Wilder voou até ao Massachusetts para assistir à sua tomada de posse. “Senti-me reconfortado por confirmar aquilo em que acreditava no meu íntimo: que o facto de eu ter chegado a governador não tinha sido uma aberração irrepetível na História.” Agora, para se referir a questões raciais e à política, Wilder recorre a uma imagem estilística: é como uma porta. Foi tão duro conseguir abri-la e ainda é durissimo mantê-la entrebaerta.

Quando se é precursor, tem-se a expectactiva de que o nosso exemplo sirva para abrir caminho a outros. Desde a chegada de Obama à presidência, o país teve o primeiro afro-americano como procurador-geral; o primeiro afro-americano administrador da NASA; o primeiro afro-americano no Departamento do Comércio; o primeiro afro-americano director-geral das prisões; o primeiro afro-americano secretário da Segurança Interna. Acrescente-se a esta lista a primeira mulher negra com patente de quatro estrelas como chefe adjunta das operações navais.

Diz Wilder que como governador persistiu na inclusão das minorias e das mulheres, se calhar mais até do que alguma vez o fizeram os seus antecessores. E mesmo assim, constata, nenhum afro-americano chegou ao topo da hierarquia administrativa na Virgínia. Wilder não consegue explicar as razões pelas quais isto acontece, o que o deixa frustrado e perplexo. Quando representantes das minorias e putativos candidatos a um lugar na administração o abordam para aconselhamento, Wilder lembra-lhes as razões que os levaram até ali e diz-lhes que se mantenham focados nas metas: ”A razão pela qual lutamos não se pode resumir a chegar em primeiro, em segundo ou em terceiro. Porque tudo isso até pode apenas conduzir a zero”, diz-lhes Wilder. “O eleitor não tem qualquer interesse na História. Antes está interessado em saber sobre escolas, índices de criminalidade, impostos e finanças públicas”. E propõe-lhes que se coloquem uma só questão: se forem eleitos, que mudanças reais e perenes vão conseguir de facto implementar?

Ed Dwight, o primeiro a entrar para o programa de treinos para astronauta

Na realidade, todas estas nossas preocupações sobre o que deixamos para o futuro encerram uma questão muito mais séria e profunda sobre o nosso país: as nossas divisões internas e disparidades sobre o tema da raça têm vindo a melhorar ou a piorar?

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Esta questão é sobre o futuro, sobre esperança vs. desespero, sobre optimismo vs. pessimismo. Aqueles que dedicaram toda a sua vida a lutar pelo progresso abriram caminho por entre as trevas.

Dwight foi seleccionado como primeiro negro a entrar para o programa de treinos para astronauta durante a presidência de John F. Kennedy. Diz que intimamente o que mais teme é que a eleição de Obama venha a transformar-se no pior que poderia ter acontecido aos afro-americanos. Refere-se a um retrocesso desde a eleição do Presidente, menciona um sentimento que grassa na América branca: “Tiveram o vosso Presidnete negro. Já não vos devemos nada.” E diz que a sua preocupação é que daqui a uns anos possamos estar a olhar para o passado e para este período como o pináculo da “hipótese negra”.

Alexa Canady, a primeira neurocirurgiã

Alexa Canady também luta contra o desespero. Para muitos, a nomeação de Barack Obama seria a solução para o imenso fosso racial no país. Pelo contrário, a sua eleição mostrou o quão profundo é esse fosso. Em 1981, Canady, que tem agora 65 anos, tornou-se a primeira negra neurocirurgiã. Compara a questão racial a um abcesso, sempre latejante no corpo de um paciente. Diz que ignorá-lo só piora a situação. “Temos de o lancetar. É a unica cura.” E mesmo assim o prognóstico manter-se-á incerto. O que Obama nos deixa, diz, dependerá em grande parte dos resultados do clima de conflito e de ódios raciais que se têm visto um pouco por todo o país.

E, contudo, apesar de tanta incerteza, Canady acalenta a esperança de que os Estados Unidos cheguem um dia a um ponto em que a mera conversa à volta de raça, de quem chega primeiro, de “precursores” e afins se torne pura e simplesmente uma conversa irrelevante. Ruth Simmons diz mesmo que, “com alguma sorte nossa”, daqui a 25 anos imagina os estudantes a lerem este tipo de ensaios sobre raça e a “ficarem muito maçados. Porque nem irão entender aquilo que lêem”. Algo que, por agora, não é de todo um cenário real. Mas, continua Simmons, quase consegue adivinhar a reacção daqueles alunos daqui a uns anos, perplexos com o alarido criado à volta da eleição do primeiro Presidente negro. “Irão estar a dizer qualquer coisa como: ‘Não é estranho que há muitos anos ainda se duvidasse que alguém como eu pudesse chegar à Presidência? Esse tempo existiu de facto?’”

Só então Canady e todos os outros perceberão aquilo que de facto ajudaram a conquistar.

Com a colaboração de Alice Crites

Até final de Maio, todos os domingos, um dossier PÚBLICO/Washington Post sobre o Legado de Barack Obama

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