Depois de privatizada, CP Carga dá lugar à Medlog

A empresa agora detida pela multinacional MSC quer, a partir de Portugal, expandir-se para a Europa.

Mudança de nome da CP Carga era uma das regras do caderno de encargos da privatização
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Mudança de nome da CP Carga era uma das regras do caderno de encargos da privatização PÚBLICO/Arquivo

Tal como previsto no caderno de encargos da privatização, a CP Carga mudou de nome. A empresa agora detida pela MSC (Mediterranean Shipping Company) vai passar a chamar-se Medlog – Transportes e Logística.

A apresentação foi feita neste sábado, num almoço que reuniu 208 trabalhadores da empresa no Museu Nacional Ferroviário, no Entroncamento.

A Medlog é o único operador ferroviário da MSC, que tem como estratégia expandir a empresa para toda a Europa a partir de Portugal. Para já, o objectivo é ser o maior transportador ferroviário de mercadorias da Península Ibérica.

Para o conseguir, a nova empresa, mais do que disputar o mercado ao único concorrente (a Takargo, empresa do grupo Mota Engil), pretende conquistar novos tráfegos e internacionalizar-se rapidamente para Espanha. Por isso, adquiriu já em renting quatro locomotivas a diesel interoperáveis, o que permite fazer comboios entre os dois países sem ter de mudar de tracção na fronteira.

A Medlog deverá crescer sobretudo no tráfego contentorizado (que hoje representa 24% do total), podendo mesmo começar a operar comboios de contentores a partir de Roterdão para o centro da Europa. E espera obter o breakeven em 2019.

Entre a velha CP Carga e nova Medlog haverá mais diferenças. Além da maior aposta em Espanha, há também uma abordagem ao negócio que será mais ampla. A Medlog assume-se como uma empresa de logística, vendendo também serviços rodoviários, de armazenagem e de distribuição. A parte ferroviária será apenas um elemento da cadeia de valor.

Outra aposta da empresa serão os comboios multiproduto e multicliente, que, curiosamente, representam um regresso a um conceito do século XX. Actualmente quase todas as composições de mercadorias transportam um só produto de um só cliente entre uma origem e um destino, mas espera-se agora criar percursos em que um mesmo comboio vai recolhendo e largando vagões em estações-entreposto, satisfazendo vários clientes. O primeiro trajecto será um eixo vertical Norte-Sul no território nacional, podendo mais tarde criar-se outro para Espanha.

A Medlog herda 530 trabalhadores da CP Carga e a expectativa é a de que os novos tráfegos conduzam a um aumento do número de postos de trabalhos. Para já, a empresa está renegociar o acordo colectivo de trabalho com os sindicatos. Mais do que discutir salários, está em causa uma reorganização do trabalho com uma maior flexibilidade laboral.

O nome da empresa resultou de um concurso interno junto dos trabalhadores ao qual se apresentaram cerca de 80 propostas. O autor da Medlog – Paulo Sérgio Sousa, operador de apoio em Contumil (Porto) – ganhou um cruzeiro no Mediterrâneo (oferecido pela casa mãe MSC). Durante o almoço foi ainda sorteada mais uma viagem num cruzeiro para duas pessoas.

Para animar o evento de apresentação, a empresa convidou José Cid que actuou numa das naves do museu ferroviário. “Sou mais velho do que estas carruagens aqui expostas”, disse o cantor, acrescentando que ele próprio se sentia um “fenómeno do Entroncamento”. 

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