PSD quer análise da CPLP sobre eleições na Guiné Equatorial

O Presidente Obiang Nguema foi reeleito em 24 de Abril para um mandato de sete anos por 93,7 por cento dos votos.

Obiang lidera um dos "regimes mais violentos de África”
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Obiang lidera um dos "regimes mais violentos de África” NATALIA KOLESNIKOVA/AFP

O PSD quer ouvir no Parlamento o embaixador de Timor-Leste junto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) sobre a missão de observação às eleições presidenciais na Guiné Equatorial que o diplomata chefiou, disse esta segunda-feira o deputado Paulo Neves. <_o3a_p>

Os parlamentares social-democratas apresentaram um requerimento a solicitar a audição do embaixador Antonito de Araújo na comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, que será discutido esta quarta-feira. <_o3a_p>

Em declarações à Lusa, o deputado Paulo Neves afirmou que o objectivo é ouvir o diplomata timorense para "saber como correram" as eleições e conhecer o relatório elaborado pelos observadores. <_o3a_p>

A CPLP realizou uma missão de observação às eleições presidenciais na Guiné Equatorial, que decorreram a 24 de Abril e em que o Presidente, Teodoro Obiang Nguema, foi reeleito com 93,7% dos votos para mais um mandato de sete anos. <_o3a_p>

A missão, chefiada pelo embaixador de Timor-Leste considerou que as eleições decorreram "de forma ordeira e pacífica" e registou uma predominância de elementos do partido no poder. <_o3a_p>

"A Guiné Equatorial faz parte da CPLP, é um país recente [na organização, a que aderiu em Julho de 2014], comprometeu-se com reformas internas e temos de acompanhar", considerou o deputado.<_o3a_p>

Para Paulo Neves, trata-se de "questões importantes e legítimas" que a comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros deve debater.<_o3a_p>

Na semana passada, a embaixada da Guiné Equatorial em Lisboa afirmou que o Presidente foi reeleito "com total transparência" e relatou que as eleições foram observadas por várias organizações, que as consideraram "livres e transparentes". <_o3a_p>

O acto eleitoral foi monitorizado por 40 observadores da União Africana e de vários países, liderados pelo anterior Presidente da República do Benim, Boni Yayi, e também por Abdoulaye Bathily, enviado especial para a África Central do secretário-geral da Nações Unidas, Ban Ki-moon, segundo uma nota do embaixador Tito Mba Ada. <_o3a_p>

Outros organismos que realizaram missões de observação, além da CPLP, foram a Comunidade Económica dos Estados da África Central, o Instituto Pan-Africano para a Assistência Eleitoral, o Instituto de Estratégia e Democracia dos Estados Unidos, bem como missões diplomáticas acreditadas na Guiné Equatorial e membros da sociedade civil nacional e internacional, acrescenta o comunicado.<_o3a_p>

Decano em termos de longevidade no poder dos chefes de Estado africanos, Obiang Nguema, 73 anos, lidera um regime que é regularmente criticado por organizações de defesa dos direitos humanos devido à repressão dos opositores, da sociedade civil e dos meios de comunicação social, assim como pela extensão da corrupção.<_o3a_p>

Recentemente, o Governo português pediu "passos claros e evidentes do ponto de vista da democratização política e, nesse plano, a forma como irá decorrer a campanha, a eleição e o apuramento de resultados na eleição presidencial é determinante". <_o3a_p>

Questionado pela Lusa sobre a forma como o executivo viu o processo eleitoral neste país, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, disse que a nota da missão da CPLP é "muito equilibrada e muito precisa".<_o3a_p>

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