Refugiados

Refugiados: a desumanização de uma crise humanitária

Fotogaleria

Centenas de pessoas provenientes de territórios extra-comunitários (UE) tentam diariamente atravessar a fronteira servo-húngara em direcção ao centro da Europa. As autoridades monitorizam os seus movimentos com recurso a câmaras de vigilância termográficas que produzem imagens semelhantes às que o artista bósnio Davor Konjikušic integra em "Aura: F37". O projecto tem como tema central a representação objectificada do ser humano e a forma como ela influencia o estabelecimento das relações de poder. "Passei muitos dias e noites com os guardas, junto à fronteira", contou Davor ao P3, em entrevista. "Eles caçavam pessoas como se fossem animais. Teciam comentários horríveis sobre as pessoas em migração, troçavam delas: chegavam mesmo a fazer comentários de natureza sexual sobre as raparigas mais jovens", narrou. Na opinião de Davor, a desumanização dos migrantes nas imagens influencia o modo como os agentes de autoridade os percepcionam e como exercem sobre eles o poder que lhes foi conferido pelos estados. As "imagens operacionais" que o fotógrafo compilou têm como objectivo demonstrar que "existe uma ligação entre o progresso tecnológico e o abandono da percepção da qualidade humana". Através de "Aura: F37", Davor acredita ter encontrado, paradoxalmente, uma forma de não objectificar as pessoas que fotografa. "As fotografias só têm esta força porque as caras não são visíveis, embora seja muito claro a que se referem." Ana Marques Maia