Professores e directores a favor de dividir ciclos de ensino em seis anos

Federação Nacional da Educação defende cinco de escolaridade básica de seis anos, seguida de uma escolaridade secundária de seis anos.

Os abusos envolveram alunas de 12 e 13 anos de uma escola em Seia
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Os abusos envolveram alunas de 12 e 13 anos de uma escola em Seia PAULO PIMENTA

O secretário-geral da Federação Nacional da Educação (FNE) manifestou-se esta quinta-feira favorável a uma reorganização dos ciclos de ensino, repartida em seis anos para o ensino básico e outros seis para a restante escolaridade obrigatória.

Em declarações à agência Lusa, João Dias da Silva justificou a alteração com a necessidade de repensar a organização dos ciclos de ensino, após o alargamento da escolaridade obrigatória para 12 anos.

"Inclinamo-nos muito para que, de uma forma faseada, se caminhe no sentido da eliminação do 2.º Ciclo e haver uma escolaridade básica de seis anos, seguida de uma escolaridade secundária de seis anos (6+6)", disse Dias da Silva ao antecipar os temas da IV Convenção Nacional FNE/CONFAP/ANDAEP, a realizar no sábado, em Santa Maria da Feira.

Na reunião anual dos representantes da FNE, da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) e da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), vão estar em debate questões como os currículos e a organização dos estabelecimentos de ensino.

O objectivo é repensar o que as escolas estão a fazer e o que é preciso mudar, também ao nível da decisão política, frisou.

"A ideia de repensar os ciclos de ensino foi lançada por nós e sabemos que a FENPROF e a FNE são a favor, agora é preciso discuti-la com todos os intervenientes e alcançar um largo consenso", disse à Lusa o presidente da ANDAEP, Filinto Lima.

A iniciativa vai juntar mais de 200 participantes para discutir também o rumo dos currículos, com as queixas a incidir nos programas de matemática.

Os directores continuam a reclamar uma "efectiva autonomia", nomeadamente ao nível da constituição das turmas. Para Filinto Lima, mais importante do que definir o número máximo e mínimo de alunos por turma, seria atribuir um número de turmas a cada escola e o director poder decidir a respectiva constituição.

"Eu, que conheço muito bem os meus alunos e os meus professores, poderia fazer turmas de 30 -- que às vezes funcionam muito bem -- e turmas mais pequenas", exemplificou.

Para os directores, a medida anunciada pelo ministro da Educação para as escolas poderem dispor de 25 por cento do currículo é ainda "um passo muito tímido".