Nesta escola os alunos têm de caminhar um quilómetro para ter aulas de ginástica

A situação prolonga-se há oito anos, desde que o pavilhão desportivo foi destruído por se encontrar em avançado estado de degradação.

Os alunos, com idades entre os 9 e 15 anos, têm de fazer o percuso duas vezes por semana.
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Os alunos, com idades entre os 9 e 15 anos, têm de fazer o percuso duas vezes por semana. Daniel Rocha

Em Lisboa, há uma escola onde os alunos têm de se deslocar cerca de 1 km antes de cada aula de educação física e não, a caminhada não faz parte do aquecimento. A situação prolonga-se há mais de oito anos, na Escola Básica 2/3 Luís de Camões, no Areeiro, desde que o pavilhão desportivo escolar foi demolido por não reunir condições de segurança.

Depois da destruição do ginásio onde os alunos tinham as aulas de educação física, os cerca de 550 estudantes, com idades entre os 9 e os 15 anos, passaram a ter as aulas de educação física no pavilhão do Casal Vistoso. O percurso feito entre a escola e o pavilhão já se tornou um hábito entre os alunos da Escola Básica 2/3 Luís de Camões, mas nem por isso os pais se acostumaram à ideia.

“Oito anos é demasiado tempo. Isto não é uma situação temporária. Temporário seria um ou dois anos”, aponta Patrícia Gonçalves, uma das encarregadas de educação.

Para a APEE (Associação de Pais, Mães e Encarregados de Educação) a segurança e o bem-estar dos alunos não estão assegurados. A associação de pais, que entrou em funções no último ano, aponta as “artérias perigosas da cidade com trânsito intenso”, sublinhando as “condições naturais adversas, à chuva e ao sol” a que os alunos estão sujeitos nas duas deslocações semanais entre a escola e o pavilhão. Além disso, destacam ainda que o percurso é feito com os alunos a carregar as mochilas escolares, “que chegam a ser superiores a 30% do seu peso”.

As deslocações são organizadas por horário de aulas e os alunos são acompanhados por funcionárias da escola, explica Patrícia Gonçalves, também membro da associação de pais. Por exemplo, se um aluno tiver aulas às 8h15, deve estar na escola antes das 8h, hora a que o grupo de alunos sai para a aula de educação física. Entre as deslocações de 15 a 20 minutos, perde-se tempo de aulas.

Mas o problema não reside no pavilhão, sublinham. “Nós gostamos que eles vão para o pavilhão [do Casal Vistoso]”, esclarece a encarregada de educação, elogiando as condições do espaço alugado pela escola à Câmara Municipal de Lisboa. “O que nós pedimos é que estas deslocações sejam feitas em segurança, especialmente tendo em conta o peso que os alunos têm de transportar, de um lado para o outro”, acrescenta.

A 17 de Dezembro de 2015, os pais apresentaram uma petição na Assembleia de Lisboa, com mais 300 assinaturas, que foi aprovada pelos deputados No entanto, segundo a Câmara de Lisboa, a responsabilidade de garantir transporte escolar adequado às necessidades dos alunos do 2.º e 3.º ciclo é do Ministério da Educação. Na mesma carta, a autarquia destaca ter sido informada “pelos responsáveis da Escola, que a E.B 2+3 Luís de Camões dispõe de cacifos para guardar o material escolar”. “Assim sendo”, prossegue, “os alunos podem levar apenas o equipamento necessário à prática desportiva para o pavilhão”. Mas a resposta não foi bem recebida.

“Os cacifos não são em número suficiente para todos os alunos e têm de ser partilhados, o que faz com que na maior parte das vezes não sejam usados”, explica Patrícia Gonçalves. “Nós fizemos o teste e como os cacifos são pequenos as mochilas não cabem lá dentro”

A associação de pais já pediu uma audiência ao ministro da Educação, mas ainda não obteve nenhuma resposta, queixando-se de que os alunos da “Camões estão a ser discriminados e ignorados pela tutela”.

“Os pais não podem escolher as escolas. É um bocadinho injusto que os meninos tenham condições tão diferentes quando comparamos, por exemplo, com o agrupamento de Escolas Filipa de Lencastre”, nota. Para a associação de encarregados de educação, a escola vizinha tem "todas as condições materiais que é suposto um estabelecimento de ensino de uma capital europeia do século XXI ter”.

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Os pais dos alunos da  Escola Básica 2/3 Luís de Camões apontam “uma aposta na educação a duas velocidades”, “uma sónica outra a pé”