Movimento nos portos cresceu 3,5% no primeiro trimestre

Porto de Sines representa 52% da movimentação de contentores. Dados do primeiro trimestre não reflectem impacto da actual greve dos estivadores.

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Em Sines, a carga embarcada é inferior às descargas, representando menos de 40% de todo o movimento de contentores Miguel Manso

O movimento de mercadorias nos oito portos do Continente totalizou 21,7 milhões de toneladas de carga nos três primeiros meses do ano, aumentando 3,5% em relação ao mesmo período de 2015. O crescimento registado de Janeiro a Março, mostram dados recolhidos pela Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT), deveu-se sobretudo ao porto de Sines, que vale 52% do mercado.

O volume da carga superou neste porto as 11,3 milhões de toneladas, uma subida de 13,4%. Viana do Castelo, que representa uma pequena fatia do mercado portuário, cresceu 17,2% e o porto de Faro subiu 2,1%. Já o movimento nos portos de Setúbal, Figueira da Foz, Leixões, Aveiro e Lisboa recuou, com a descida mais acentuada, de 12,7%, a acontecer na Figueira.

Os dados do primeiro trimestre não reflectem ainda os efeitos da actual greve no Porto de Lisboa, apenas a paralisação que decorria nos primeiros dias deste ano. A quebra de Janeiro a Março foi de 9,1% neste porto, que é o terceiro mais importante no mercado portuário, depois de Sines e Leixões.

Os estivadores iniciaram uma paralisação parcial desde Novembro do ano passado até que, a 8 de Janeiro, foi assinado um acordo de paz social que na altura levou o sindicato (SETC) a suspender os pré-avisos de greve. Uma vez fracassado o acordo intermediado pelo Governo, os estivadores voltaram a convocar greves a partir de 20 de Abril.

Nos oito portos, “o tráfego de contentores, incluindo ‘cheios’ e ‘vazios’, acompanhou o sentido da variação observada no mercado da carga contentorizada tendo registado um acréscimo de 1,7% em número e de 4,1% em volume de TEU [unidade equivalente a um contentor de 20 pés]”, refere a AMT no relatório consultado pelo PÚBLICO.

Os movimentos de carga e descarga têm dinâmicas muito distintas de porto para porto. Os que têm uma quota “mais elevada de carga embarcada são os de menor dimensão, traduzindo o seu papel de porto de exportação para cargas muito específicas, a saber, nomeadamente pás eólicas no porto de Viana do Castelo e cimento no porto de Faro”, sublinha a AMT.

Em Faro, por exemplo, toda a carga movimentada correspondeu ao embarque de mercadorias. Em Viana do Castelo, o embarque ainda valia 77% da quantidade movimentada. “Também tradicionalmente os portos da Figueira da Foz e de Setúbal registam ‘embarques’ superiores aos ‘desembarques’, movimentando a maior parte da carga em tráfego de exportação, sendo que no período em análise representam 66,6% e 52,1%, respectivamente”.

Mas nos dois portos com mais movimentação de contentores, Sines e Leixões, esta diferença depende muito mais da evolução das refinarias da Galp, por causa das importações de petróleo. Até Março, a carga embarcada só representou 39,3% do total em Sines e 37,6% em Leixões. Em Lisboa, por causa das compra de cereais ao mercados externos, também o porto “assume um perfil de porto de importação, com o volume da carga embarcada a representar 38,1%”.

O movimento de navios que assegurou este tráfego de mercadorias (e de passageiros) envolveu 2559 escalas de navios, mais 37 (1,5%) do que nos três primeiros meses do ano passado.