O menu comprometido da Tate para 2017

Uma galáxia de estrelas – Giacometti, Modigliani, Hockney – e três exposições histórica e socialmente comprometidas. Uma delas centrada na arte queer britânica.

David Hockney’s <i>Peter Getting Out of Nick’s Pool</i> (1966), de David Hockney
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David Hockney’s Peter Getting Out of Nick’s Pool (1966), de David Hockney Cortesia: David Hockney/Collection: Walker Art Gallery

O site da galáxia Tate faz o alinhamento das exposições do próximo ano com um título sugestivo (e verdadeiro): “Modern Masters and Contemporary Greats at Tate for 2017”. Entre os mestres do moderno, destaque para Alberto Giacometti e Amedeo Modigliani, ambos na Tate Modern; entre os grandes contemporâneos David Hockney, Rachel Whiteread e Wolfgang Tillmans. Retrospectivas de peso num ano em que a programação promete dar atenção a temas histórica e socialmente relevantes em três ambiciosas exposições.

Soul of a Nation: Art in the Age of Black Power abrange o período entre 1963 e 1983 e explora, lê-se no comunicado da Tate, a forma como a categoria “Black Art” foi definida, rejeitada e reconfigurada nos Estados Unidos, colocando o foco no contributo de muitos artistas negros para a produção norte-americana nestes 20 anos vitais. Muitos dos nomes que a integram mostram pela primeira vez o seu trabalho no Reino Unido – Romare Bearden, Norman Lewis ou Lorraine O’Grady – num percurso que começa com a formação do colectivo Spiral e se desenvolve na relação entre a arte e a luta pelos direitos civis da comunidade afro-americana.

Red Star Over Russia, que marca o centenário da Revolução de Outubro, olha para a forma como os artistas russos e soviéticos “criaram uma identidade visual única” ao longo de meio século, entre a primeira revolução, em 1905, e a morte de Estaline, em 1953. Esta viagem pelo passado encontra um reflexo contemporâneo na exposição que a Tate Modern dedica a dois contemporâneos russos Ilya e Emilia Kabakov, combinando pintura e desenho feitos em Moscovo entre as décadas de 50 e 80 e a fase mais recente, já depois de radicados em Long Island, Estados Unidos. Esta dupla tem vindo a trabalhar em grandes instalações que exploram o nascimento e a queda da União Soviética a partir da sua cultura visual.

Entre o passado e o presente está também um dos principais destaques da oferta de 2017, que está a ser apresentada como a primeira grande exposição de arte queer britânica e é feita para coincidir com 50.º aniversário do diploma legal que descriminalizou a homossexualidade masculina na Inglaterra e no País de Gales, o Sexual Offences Act de 1967.

Queer British Art (5 de Abril a 1 de Outubro) concentra-se nas mudanças sociais relacionadas com as diferentes abordagens ao género e à sexualidade a partir de obras de John Singer Sargent, Dora Carrington, Duncan Grant, Simeon Solomon, Francis Bacon, Ethel Sands e, claro, David Hockney, o artista que deverá ser objecto da maior retrospectiva de sempre também em 2017 (Tate Britain, 9 de Fevereiro a 29 de Maio).