A paz depende apenas dos moçambicanos, diz fonte diplomática portuguesa

Na sua primeira visita de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa vai reunir-se com os três partidos parlamentares, Frelimo, Renamo e MDM. Mas Belém recusa um papel activo de mediador

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Miguel Manso

Marcelo Rebelo de Sousa vai reunir-se com os três partidos com assento parlamentar na Assembleia moçambicana, Frelimo, Renamo e MDM (Movimento Democrático de Moçambique), no âmbito da visita de Estado àquele país que inicia na terça-feira. Os encontros, que não constam da agenda oficial mas não são considerados secretos, foram pedidos pelas forças políticas e Belém recusa querer ter um papel de mediação entre elas.

O Presidente português vai chegar a Moçambique num momento em que há notícias contraditórias sobre a descobera de uma vala comum com mais de 120 corpos na zona de Gorongosa, a Norte, o que torna mais evidente o clima de guerrilha ainda existente, pelo menos naquela zona do país, entre os dois históricos rivais, Frelimo e Renamo. Mas Marcelo não quer assumir qualquer papel que evoque aquele que o seu pai, Baltazar Rebelo de Sousa, teve na antiga colónia, antes do 25 de Abril, da qual foi governador-geral entre 1968 e 1970.

“O Presidente não vem cá para mediações”, disse ao PÚBLICO fonte diplomática portuguesa: “Queremos acreditar que os moçambicanos conseguirão ultrapassar por si próprios os seus diferendos, assim todos se empenhem nesse sentido”.

Segundo a mesma fonte, se as forças políticas “não estão empenhadas ou se não há cumprimento da lei, isso num país soberano depende dos próprios”. “Não são os estrangeiros que têm de encontrar soluções”, sublinha ainda.

Na quinta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa é recebido pela Presidente da Assembleia da República de Moçambique, Verónica Macamo, um encontro que consta da agenda oficial e que é considerado por fonte diplomática como simbólico, porque representa o Parlamento no seu conjunto, num momento em que a instituição se encontra fechada.

Na véspera,  Marcelo janta com Felipe Nyusi, seu homólogo, no Palácio da Ponta Vermelha, o mesmo onde residiu quando o seu pai ali era governador-geral.

O Presidente da República fará em Moçambique a sua primeira visita de Estado entre terça e sexta-feira, com o objectivo de fortalecer as relações entre os dois países nas vertentes económica, institucional, cultural e de cooperação, tendo uma agenda muito preenchida.

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