Paulo Morais vai criar associação para causas sociais

Ex-candidato às presidenciais promete "frente de combate" às desigualdades sociais e "privilégios dos ricos"

Paulo Morais tem olhado com "perplexidade" para o cenário político que se vive em Portugal
Foto
Paulo Morais tem olhado com "perplexidade" para o cenário político que se vive em Portugal Paulo Pimenta

O ex-candidato presidencial Paulo Morais vai criar uma associação cívica com dois pontos na agenda: combater as desigualdades sociais e os “privilégios dos ricos”. A intenção foi anunciada este sábado, no final de um almoço com apoiantes da candidatura presidencial, em Sintra.

O antigo autarca social-democrata adiantou que pretende fundar uma “frente cívica de combate” ainda antes do final da Primavera. “O primeiro objectivo é criar uma forma de acordar a classe média, combater os privilégios dos ricos e que metade da população na desgraça saia dela”, afirmou, perante uma centena de colaboradores e de apoiantes. A frente de combate terá carácter cívico e não político. “Não tenciono ser candidato a deputado por qualquer partido nem formar qualquer partido”, disse Paulo Morais, argumentando que “o capital político de um candidato presidencial não é transferível” para esses fóruns.

Na intervenção, o professor de Matemática e Estatística sustentou que há um “país real” com “dois milhões de pobres” e em que “150 mil pessoas que trabalham recebem 310 euros ao final do mês” e “um milhão e 400 mil estão no desemprego ou em subemprego”.  O outro país, prosseguiu, “é virtual”, é “das televisões, das telenovelas e dos futebóis”, e “parece que está tudo bem”. Paulo Morais defendeu a “necessidade de combater este país dividido” e em que a “classe média vive com conforto mas é egoísta, é incapaz de se deslocar dez metros para se manifestar por uma causa”. São estas causas que o ex-candidato presidencial quer acrescentar a outras bandeiras que levou na campanha como a do combate à corrupção.

O encontro foi aproveitado para fazer um balanço da campanha das presidenciais deste ano, ganhas por Marcelo Rebelo de Sousa, e em que o candidato ficou em sétimo lugar, com 2,1%. Depois de serem exibidas imagens da volta pelo país ao som da música criada para o candidato, Paulo Morais considerou que “o desafio foi ganho”, apesar das “dificuldades” e da “censura mediática brutal” de que foi alvo sobretudo “na primeira fase da candidatura”. Com este balanço “positivo”, Paulo Morais argumentou que o seu compromisso com “cada um dos cem mil eleitores que foram às urnas” não pode ser alienado. E pediu aos que estavam na sala para se associarem à “frente de combate” que se prepara para fundar. Esta iniciativa será independente do cargo de vice-presidente da Transparência e Integridade Associação Cívica que Paulo Morais exerce (depois de ter estado suspenso enquanto candidato) e que cumprirá até ao final do mandato, ou seja, até final do ano.