Morreu Rui D’Espiney, figura de referência da luta antifascista

Fundou, com Francisco Martins Rodrigues e João Pulido Valente, o primeiro movimento maoista português, no ano de 1964. Foi o último dos três a morrer.

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Rui D'Espiney em 2001 MOV. ASSOCIATIVISMO E DEMOCRACIA PARTICIPATIVA

Eram três. Queriam derrubar o regime do Estado Novo pela luta armada. Passaram anos exilados em França e na Argélia. Juntaram-se, em 1964, para criar o primeiro movimento maoista português, Comité Marxista-Leninista Português/ Frente de Ação Popular (CMLP/FAP). O único que ainda estava vivo, Rui D’Espiney, morreu esta madrugada, em Lisboa, aos 73 anos, vítima de um enfisema pulmonar.

Francisco Martins Rodrigues, João Pulido Valente e Rui D’Espiney foram os heróis de uma geração. Começaram a desenhar a sua solução alternativa para libertar os portugueses do fascismo a partir de França, mas uma vez regressados a Portugal, em Junho de 1965, acabaram presos em menos de um ano.

O primeiro deles foi João Pulido Valente, detido na sequência de informações recolhidas por Mário Mateus, um informador da PIDE que acreditavam ter-se infiltrado no movimento e que foi por este executado a 26 de Novembro de 1965. Seguiram-se as prisões de Chico Martins Rodrigues e Rui D’Espiney, também torturados e espancados.

Só oito anos mais tarde, já depois do 25 de Abril de 1974, os três amigos haviam de sair da prisão de Peniche. Mais recentemente, em entrevista à RTP, D' Espiney havia de dizer que a forma violenta como o grupo apareceu foi "precipitada" porque não tinha "uma estrutura orgânica capaz de suportar a repressão que se viria a abater" sobre ele.

Rui D’Espiney, sociólogo, coordenou diversos projectos de desenvolvimento educativo e comunitário. Fundou e foi director executivo do Instituto das Comunidades Educativas. Presidiu também à ADELE-Associação para o Desenvolvimento Educativo Local na Europa.

O corpo estará em câmara-ardente a partir das 16h desta quinta-feira na sede do Instituto das Comunidades Educativas, na Rua do Moinho n.1 do Bairro da Bela Vista, em Setúbal. A cremação está marcada para sexta-feira, às 11h30, no cemitério da Paz, Algeruz, em Setúbal.