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Polícia investiga registos médicos e aterragem de emergência do voo de Prince

Inquérito às causas da morte do músico continua 48 horas após a sua morte súbita. Sem sinais de violência ou suicídio, autoridades passam em revista historial do autor de Kiss e circunstâncias do voo interrompido de dia 15.

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Um fã num dos memoriais dedicados a Prince, à porta de Paisley Park SCOTT OLSON/GETTY IMAGES/AFP

A investigação às causas da morte de Prince vai alargar-se aos seus últimos dias, nomeadamente às circunstâncias que levaram à aterragem de emergência do seu Falcon 900 no aeroporto de Moline, na sexta-feira 15 de Abril. Quase uma semana antes da sua morte aos 57 anos em Minneapolis, e com as autoridades a despistarem sinais de suicídio ou de trauma, a polícia quer saber o que levou à interrupção da viagem do músico, que terá ficado “inconsciente” a bordo do avião privado.

Na conferência de imprensa do xerife do condado de Carver, Jim Olson, que teve lugar sexta-feira à noite, o responsável policial disse que “não há sinais de trauma visíveis no corpo”, reservando mais detalhes e possíveis revezes dessa primeira impressão para os resultados finais da autópsia, que foi feita sexta-feira para que o corpo pudesse ser entregue à família. “Não temos nenhuma indicação de que se tenha tratado de um suicídio”, acrescentou, não dando mais informações sobre relatos que dão conta de uma possível overdose sofrida pelo músico uma semana antes durante o muito falado voo que aterrou em Moline. “Há muitos rumores, mas não vamos comentar rumores."

Ainda assim, questionada sobre essa possibilidade pela imprensa, a porta-voz do gabinete de medicina legal local, Martha Weaver, disse à AFP que “não há qualquer informação” sobre uma overdose. A autópsia durou quatro horas e o corpo está a ser velado em Paisley Park, onde um grupo de funcionários de Prince o encontrou inanimado na manhã de quinta-feira num elevador do complexo de estúdios do artista.

Os resultados preliminares da autópsia, bem como os resultados toxicológicos das análises a potenciais substâncias que pudesse ter no sangue, só serão conhecidos nos próximos dias ou mesmo, no caso das segundas, nas próximas semanas. Quaisquer informações sobre “o passado social e médico” de Prince serão tidas em conta na investigação, disse o gabinete de medicina legal à AFP, sendo que serão revistos os registos farmacêuticos locais do músico e todo o seu historial médico.

Sheila E., sua amiga e colaboradora musical, disse na televisão americana ABC que sabia que o músico  um adepto da alimentação saudável, religioso praticante, e que dias antes da sua morte andou pela cidade de bicicleta  sofria de problemas numa anca. Em algumas entrevistas, Prince mencionou ter sofrido de epilepsia quando jovem.

O New York Times noticiava ainda sexta-feira ao final do dia que as autoridades vão integrar a aterragem de emergência do Falcon Dassault 900 de 1988 no inquérito às causas da morte do autor de Kiss.

O avião, que se destinava a Minneapolis, a cidade natal de Prince, aterrou fora do seu plano de voo previsto – partiu do aeroporto Hartsfield-Jackson quase à 1h da manhã de dia 15, depois de um concerto que o músico tinha dado em Atlanta, mas acabou por se desviar do seu percurso. À 1h18 aterrava no aeroporto Quad City, em Moline, estado do Illinois, depois de o piloto ter feito uma chamada de emergência para a torre de controlo de Chicago (capital do Illinois) mencionando uma emergência médica a bordo, por um passageiro do sexo masculino estar sem reacção. Acabou por ser indicado que o Falcon devia aterrar em Moline, relata o gestor de recursos humanos de Quad City ao diário nova-iorquino. O voo tinha durado 1h27, segundo os dados oficiais, e só abandonaria Moline às 10h57 da manhã seguinte.

Quarenta e oito minutos depois, Prince aterrava em Minneapolis. No sábado seguinte foi comprar discos ao centro da cidade. Sobre a madrugada passada em Moline pouco se sabe oficialmente. Os seus representantes atribuiram a emergência aos efeitos de uma gripe prolongada. Já o site TMZ, prolífico nas notícias em primeira mão acerca de escândalos com celebridades – foi o primeiro a noticiar a morte de Michael Jackson e, agora, a de Prince , referia na sexta-feira que segundo várias fontes anónimas o músico foi tratado no hospital por uma overdose do medicamento de nome comercial Percocet, cuja substância activa é a oxicodona, um opiáceo analgésico com potencial fortemente adictivo. Terá recebido uma injecção e saído do hospital mais cedo do que os médicos recomendavam.

Prince foi visto pela última vez com vida na noite de quarta-feira, pelas 20h, quando o deixaram em casa, onde vivia sozinho.

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