CGTP perdeu quase 64 mil sindicalizados nos últimos quatro anos

A maior central sindical portuguesa tem agora 550.500 filiados, distribuídos por 99 sindicatos, o número mais baixo das últimas décadas.

Arménio Carlos na abertura do 13º Congresso em Almada.
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Arménio Carlos na abertura do 13.º Congresso em Almada Enric Vives-Rubio

A CGTP perdeu 63.588 sindicalizados nos últimos quatro anos, período que coincidiu com a permanência da troika em Portugal. A central sindical representa agora 550.500 trabalhadores, menos 10,5% do que em Janeiro de 2012 e o número mais reduzido das últimas décadas. Os dados foram avançados ao PÚBLICO pela CGTP, depois de fechar as actas do seu 13.º Congresso, que decorreu em Almada a 26 e a 27 de Fevereiro, e mostram que o esforço para cativar novos sindicalizados não tem sido suficiente para compensar as saídas.

Em 1999, a CGTP tinha um pouco mais de 763 mil sindicalizados. Passados quatro anos, em Janeiro de 2004, eram 759.500, ou seja, menos 0.5%. Em 2008, a queda foi mais acentuada (de 4,3%), mas o número continuou acima dos 700 mil (727.000). Foi entre 2018 e 2012 que a redução se tornou mais visível: havia 614.088 sindicalizados, uma redução de 15,5%. Com a passagem da troika por Portugal, o número de trabalhadores sindicalizados continuou a cair, embora com menor expressão (10,4%), e o saldo líquido está agora nos 550.500.

Graciete Cruz, membro da comissão executiva da CGTP e responsável pelo departamento de organização, atribui esta redução do número total de sindicalizados ao contexto que se viveu nos últimos anos. “Tivemos uma elevada perda de emprego, encerramento de empresas e não nos podemos esquecer que entre 2011 e 2014 tivemos cerca de 500 mil pessoas que saíram do país. Tudo isto tinha inevitavelmente de se reflectir” nos números, justificou.

A dirigente acrescenta ainda que a construção, a educação e os serviços - sectores mais afectados pelo desemprego - foram as áreas onde a saída de trabalhadores mais se sentiu. “Apesar deste dizimar de empregos”, Graciete Cruz destaca outros sectores onde o saldo entre os que saíram e os que entraram é positivo, dando como exemplos a metalurgia, química, indústria eléctrica e farmacêutica, a área do comércio e escritórios ou a hotelaria. No sector público destaca o caso das autarquias, onde os sindicatos travaram uma batalha para a manutenção das 35 horas semanais que, diz, teve resultados positivos no nível de representatividade conseguido.

No congresso, a CGTP anunciou que tinha conseguido mais 104 mil novos sindicalizados e superar a meta de 100 mil a que se tinha proposto em 2012, mas não revelou o número total de filiados. Contudo, Arménio Carlos, líder da central, já antecipava que as novas sindicalizações poderiam não ser suficientes para travar a perda de trabalhadores.

Questionado pelos jornalistas, Arménio Carlos alertava que os novos sindicalizados não poderiam somar-se aos que existiam em 2012. "Por uma razão muito simples: se desapareceram centenas de postos de trabalho, se o desemprego aumentou e se há uma emigração massiva, também houve trabalhadores em número significativo que saíram", reconheceu.

Não foi apenas a CGTP a sentir os efeitos da crise. Também a UGT, liderada por Carlos Silva, reconheceu em entrevista ao PÚBLICO que a central estava com 420 mil sindicalizados. “Nestes quatro anos perdemos 80 mil filiados. Só no sector bancário foram mais de 10 mil”, afirmou o dirigente.