Opinião

Em extremos opostos da Europa

Sim, a Polónia é o completo contrário de Portugal. Não apenas na geografia, mas agora também na ideologia… e no progresso.

Em artigo, também no PÚBLICO, de 27 de Janeiro último intitulado “Não se endireita”, escrevi: “Novamente, e recordando o que Jorge Coelho disse em 2001, “a partir de agora quem se meter com o PS leva!” O seu camarada Augusto Santos Silva, que neste governo de António Costa é outra vez ministro (desta feita, dos Negócios Estrangeiros), renovou-reformulou-especificou o “credo socialista nacional” em 2009 afirmando que “eu cá gosto é de malhar na direita”. Mas qual “direita”? Supõe-se que se referisse ao PSD e ao CDS… mas, em rigor, o primeiro nunca foi de direita e o segundo não o é desde 1998, quando Manuel Monteiro deixou de ser o seu líder.”

Na verdade, o XX Governo Constitucional, resultante de uma coligação pós-eleitoral entre PSD e CDS e activo entre 2011 e 2015, também não se pode considerar verdadeiramente de direita. O que é demonstrado, entre outros possíveis exemplos, por: ter eliminado o feriado de 1 de Dezembro (apesar de também o de 5 de Outubro, este correctamente se entendido como comemoração da implantação da República); não ter assinalado oficialmente os 600 anos da conquista de Ceuta, os 500 da morte de Afonso de Albuquerque e os 250 do nascimento de Manuel du Bocage; ter alienado empresas controladas pelo Estado a outras de um país estrangeiro sob um regime ditatorial (comunista); não ter baixado os impostos; ter aceitado como verdadeira (mas não é) a existência de “aquecimento global antropogénico”, e condicionado nesse sentido (fraudulento) as políticas ambiental, económica e energética; não ter agravado as penas de prisão para crimes graves, em especial o múltiplo homicídio, nem ter implementado um programa de (efectiva) protecção de mulheres vítimas de violência doméstica (talvez cerca de uma centena foram mortas por ex-maridos e namorados nos últimos cinco anos), facultando-lhes armas para autodefesa; ter continuado a implementação do (ilegal) “Acordo Ortográfico de 1990”; não ter revogado a legislação que autoriza a realização de “casamentos” entre pessoas do mesmo sexo. Estabeleceu o pagamento de taxas moderadoras nas “interrupções voluntárias da gravidez”, deste modo cessando (apenas brevemente, pois o XXI Governo de António Costa, e a maioria de extrema-esquerda que o sustenta, não tardaram a reverter a decisão) a vergonha de haver um Estado a promover e a premiar o morticínio de massas e a auto-extinção do país que supostamente serve? Sim, mas tal deveu-se a uma – bem-sucedida – iniciativa legislativa de cidadãos e não a uma decisão própria do executivo de Pedro Passos Coelho e de Paulo Portas. 

No mesmo artigo também escrevi: “A prevalência total da esquerda – quer extrema quer moderada – na acção governativa em Portugal durante as últimas três décadas é a causa primeira e principal do deficiente e desequilibrado desenvolvimento que aquele demonstra.” Não se afigura provável que o panorama se vá alterar nos tempos mais próximos, e o facto de a única estreia no parlamento aquando da XIII Legislatura ter sido a de um partido de esquerda ainda mais radical como o Pessoas-Animais-Natureza é um desolador sinal disso mesmo… infelizmente para este país. Porém, e felizmente para a Europa, a situação nacional é, neste âmbito, um caso praticamente único. Vítima inevitável e inescapável da sua intrínseca falácia intelectual e da sua inerente falência moral (e material, muitas vezes também), a esquerda está em recuo, em retirada, em retracção, em retrocesso por todo o Velho Continente…

… E esse processo é mais visível e está mais completo para lá da linha Oder-Neisse, onde há um país que, politicamente, é como que um reflexo do nosso, um contraste total connosco. Sim, a Polónia é o completo contrário de Portugal; uma e outro estão em extremos opostos da Europa. Não apenas na geografia, mas agora também na ideologia… e no progresso: depois das mais recentes eleições legislativas, realizadas em 25 de Outubro do ano passado, já não há partidos da “sinistra” no parlamento de Varsóvia, mais concretamente na câmara baixa daquele. País e povo mártires, sucessiva e alternadamente oprimidos e devastados no último século por diferentes formas de esquerda, isto é, pelo nacional-socialismo alemão e pelo comunismo soviético russo, os polacos decidiram endireitar-se de vez e atingiram em 2015 um grau, um nível, um patamar superior de civilização. E – no poder legislativo, pelo menos – a esquerda por eles foi extinta, não através da violência, verbal e/ou física, como aquela é useira e vezeira, mas pela discussão, pela persuasão, pela razão; enfim, pelo voto. Sem dúvida um (bom) exemplo a seguir e a imitar.

Jornalista e escritor