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Alunas de Chibok aparecem vivas num vídeo do Boko Haram

Vídeo terá sido enviado pelo grupo extremista ao Governo nigeriano e mostra 15 das 276 meninas raptadas na Nigéria. Dois anos depois, o seu paradeiro ainda é desconhecido.

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Mãe de uma das raparigas raptadas Stefan Heunis/AFP

No dia em que se assinalam dois anos do rapto de mais de 200 raparigas na Nigéria, protagonizado pelo Boko Haram, foi divulgado um vídeo onde  aparecem 15 destas raparigas, afirmando que estão bem e apelando a que o Governo nigeriano coopere com o grupo extremista para a sua libertação.

Aparentemente, este vídeo, enviado pelo grupo extremista ao Governo nigeriano e divulgado pela CNN, foi filmado a 25 de Dezembro de 2015 e constitui a primeira “prova de vida” das jovens desde Maio de 2014. Nas imagens, não se vê nenhum membro do Boko Haram, apenas se ouve uma voz de fundo que questiona as raparigas, que vão dizendo os seus nomes e explicam que foram raptadas da escola secundária de Chibok. Afirmam que estão bem, mas que querem regressar às suas famílias.

A identidade de algumas destas raparigas foi confirmada por três mães que assistiram ao vídeo em Maiduguri, capital do estado do Borno, numa sessão organizada pelas autoridades locais.

Rifkatu Ayuba e Mary Ishaya reconheceram as suas filhas, Saratu e Hauwa. Uma terceira mãe, Yana Galang, não conseguiu identificar a sua filha, mas reconheceu cinco das raparigas desaparecidas, segundo a Reuters. “Definitivamente são as nossas filhas. Tudo o que queremos é que o Governo traga de volta as nossas meninas”, afirmou Galang.

Durante a madrugada de 14-15 de Abril de 2014, militantes do Boko Haram invadiram a escola secundária de Chibok e raptaram 276 raparigas. De entre elas, 57 conseguiram fugir nas horas seguintes, mas o paradeiro das restantes ainda é desconhecido. A maioria das estudantes eram cristãs, e depois do rapto, o líder do grupo jihadista, Abubakar Shekau, divulgou um vídeo em que anunciou que iria casar as raparigas com combatentes do grupo ou vendê-las como escravas.  

O rapto destas estudantes tornou-se uma questão política na Nigéria, com o Governo e os militares a serem fortemente criticados pelo facto de não conseguirem progressos nas negociações com os extremistas, bem como por serem incapazes de localizar as raparigas. Para o dia de hoje, está prevista uma marcha na capital da Nigéria, Abuja, onde centenas de pais das raparigas desaparecidas irão exigir mais esforços ao Governo nigeriano, reporta a BBC.

O director da Amnistia Internacional da Nigéria, Mohammed Kaural Ibrahim, apelou, num comunicado, à libertação das reféns, referindo que as raparigas de Chibok se tornaram o símbolo “de todos os civis que viram as suas vidas destruídas pelo Boko Haram”, deixando também críticas ao Governo nigeriano por não estar a fazer o suficiente. “O Governo do Presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, tem de fazer tudo o que está legalmente ao seu alcance para acabar com a agonia dos pais das alunas de Chibok e de todos quantos foram raptados. Têm de fazer mais para trazer as nossas raparigas de volta, para garantir a protecção de civis no Nordeste e para assegurar o acesso das crianças à educação na região”, afirmou.

Mais de duas mil crianças já foram raptadas pelo Boko Haram desde 2014, muitas delas utilizadas como escravas sexuais, combatentes ou até mesmo como bombistas-suicidas, reporta a mesma organização de defesa dos direitos humanos.

Num relatório divulgado na terça-feira, a Unicef denuncia que o número de crianças utilizadas pelo grupo extremista em ataques suicidas tem aumentado significativamente. Segundo os números da agência das Nações Unidas para a protecção da infância, no ano passado 44 ataques suicidas foram levados a cabo por crianças, 75 % delas eram raparigas.

O Exército nigeriano tem conseguido alguns progressos para conter a influência dos jihadistas, recuperando cidades e aldeias controladas pelo grupo e libertando centenas de mulheres e crianças mantidas em cativeiro. Apesar disso, os islamistas continuam a lançar ataques no país, ataques estes que se têm estendido aos vizinhos Camarões, Chade e Níger.

A insurgência do grupo em 2009, que tem como objectivo impor um estado islâmico na Nigéria, já matou mais de 17 mil pessoas e levou ao deslocamento de mais de dois milhões no país. As crianças, muitas delas privadas de acesso a educação, são as principais vítimas do terror do grupo extremista. 

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