Ligação do Rato ao Cais do Sodré é a obra que se segue no metro de Lisboa

Promover a união das linhas Amarela e Verde é a prioridade do Governo na expansão do Metropolitano. Esta quarta-feira, a Linha Azul chegou à Reboleira, que se transformou numa "porta de mobilidade".

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A partir de agora, quem sair da Reboleira de metro chegará ao Marquês de Pombal em 19 minutos Miguel Manso

Depois de inaugurada a estação da Reboleira, na Amadora, a próxima paragem do Metropolitano de Lisboa será na capital. A ideia é fazer a ligação entre as linhas Verde e Amarela, que hoje terminam, respectivamente, no Cais do Sodré e no Rato.

Isso mesmo foi confirmado ao PÚBLICO pelo primeiro-ministro, depois de o ministro do Ambiente ter afirmado publicamente que os investimentos futuros no prolongamento da rede seriam no sentido de promover “o reforço da conectividade entre linhas já existentes”.

O ministro Matos Fernandes não foi mais longe do que isso, mas António Costa explicou, sem dar pormenores, que a obra que o Governo coloca no topo das suas prioridades é a ligação entre as linhas Verde e Amarela.

Ao seu lado, numa viagem de metro entre a Reboleira e a Baixa-Chiado que se realizou esta quarta-feira, viajava o presidente da Câmara de Lisboa, que frisou que quando esse investimento for concretizado “passa a haver uma linha circular” de metro, que se pretende que seja “o grande sistema distribuidor da cidade”. Questionado sobre quando é expectável que essa obra seja concretizada, Fernando Medina não arriscou avançar uma data.

Esta viagem foi feita numa composição com bancos revestidos a cortiça e, como notou um dos elementos da comitiva, conduzida por uma mulher. Junto a António Costa e ao seu sucessor à frente da autarquia seguia a presidente da Câmara da Amadora, cuja maior ambição, agora que o metro chegou à Reboleira, é estendê-lo ao Hospital Amadora-Sintra.

Durante o discurso que fez antes de embarcar na composição que havia de a levar à Baixa-Chiado, a socialista Carla Tavares dirigiu-se a António Costa para lhe lembrar a “extrema importância” desse investimento, que chegou a ser anunciado em 2009, quando Ana Paula Vitorino (a actual ministra do Mar) era secretária de Estado dos Transportes. Na altura, a ideia era que a Linha Azul chegasse ao hospital, parando pelo meio nas estações Atalaia e Amadora-Centro.

A resposta veio do ministro do Ambiente. “Temos que ser muito ponderados”, afirmou Matos Fernandes, que colocou a prioridade no “reforço da conectividade entre linhas já existentes”. Quanto à estação da Reboleira, o governante lembrou que esta expansão do metro “é a primeira desde há muitos anos” e falou num “marco importante na história do Metropolitano de Lisboa” e num “momento de especial relevância para a Área Metropolitana da capital”.

A expectativa de Matos Fernandes é que o novo troço, que tem pouco menos de um quilómetro de extensão e que inclui uma ligação coberta à linha de comboios de Sintra, contribua para “descongestionar o IC19” e “atrair mais pessoas para os transportes públicos”. Numa brochura sobre a obra que foi distribuída aos jornalistas diz-se que com ela poderá haver menos 1700 viaturas a circular diariamente em Lisboa.

Também o primeiro-ministro sublinhou a importância do empreendimento agora inaugurado. Para António Costa, “muito mais do que uma ligação ao centro de Lisboa” está em causa “uma obra fundamental, que representa um salto qualitativo na intermodalidade dos transportes públicos na Área Metropolitana de Lisboa”.

Já o presidente da Transportes de Lisboa falou na Reboleira como “uma nova porta de mobilidade”, que vai contribuir para tornar a rede do metro “mais coerente, integrada e funcional”.

Segundo Tiago Farias, este prolongamento da Linha Azul representou um investimento de 60 milhões de euros, dos quais 43 milhões foram financiados pelo Fundo de Coesão da União Europeia. A partir de agora, quem sair da Reboleira de metro chegará ao Marquês de Pombal em 19 minutos, ao Saldanha em 20 e à Baixa-Chiado em 24.  

Carris será “empresa da Câmara de Lisboa” em 2017

A expectativa do ministro do Ambiente é que a 1 de Janeiro de 2017 a Carris já seja “uma empresa da Câmara de Lisboa”. O presidente da autarquia partilha dessa ambição, e não esconde que gostaria que fosse possível concretizá-la ainda durante este ano.

“Este Governo é muito claro na sua ambição de descentralização de competências em matéria de mobilidade”, sublinhou o ministro Matos Fernandes, defendendo que “cabe ao poder local a organização do transporte local e regional” e à Área Metropolitana de Lisboa “a organização do sistema de transporte a nível regional e a definição do serviço de transporte público que se pretende para a região”.

Na mesma linha, o primeiro-ministro fez questão de “reafirmar, com toda a clareza” que as competências ao nível dos transportes públicos “são para ser exercidas por entidades públicas e devem ser descentralizadas para os municípios e para a Área Metropolitana de Lisboa”.

“O Estado tem muito em que se concentrar”, continuou António Costa, defendendo que este “tem que deixar de fazer o que os municípios e as áreas metropolitanas estão em melhores condições de fazer”. O primeiro-ministro sublinhou ainda que as áreas metropolitanas devem ser “politicamente legitimadas e reforçadas pelo voto dos cidadãos”, algo que está previsto que aconteça já nas eleições de 2017.